- Grileiros investem em áreas de Camburi, Baleia e Barra do Sahy, usando motosserras e cercamentos em terrenos de marinha para vender a moradores, com empresas falsas e documentação fraudulenta.
- Polícia, Ministério Público e prefeitura investigam possível elo com crime organizado e atuam com fiscalizações e ações civis públicas para manter núcleos congelados pela Justiça desde 2019.
- Documentos forjados, contratos e registros falsos são usados para vender lotes até 40% abaixo do preço de mercado, com imóveis regulares na região custando em média cerca de R$ 1 milhão.
- Monitoramento do Instituto Conservação Costeira indica aumento de irregularidades na Área de Proteção Ambiental Baleia-Sahy: 79 denúncias em 2025, mais 22 nos dois primeiros meses de 2026, além de crescimento de construções irregulares.
- Governo municipal aponta operações permanentes e 40 ações em 2023/2024, com desmontes e embargos, enquanto a Secretaria de Meio Ambiente do estado reporta dezenas de ações de fiscalização no município.
A destruição da Mata Atlântica para loteamentos clandestinos avança em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, com denúncias de grilagem de alto luxo e ocupação por parte de comunidades de baixa renda. Investigações apontam uso de motosserras, tratores e caminhonetes para desmatamento e cercamento de terrenos.
Grupos suspeitos estariam operando em Camburi, Baleia e Barra do Sahy, realizando ações em horários de menor movimento para acelerar a ocupação. Documentos falsificados e consultorias de fachada surgem como táticas para dar aparência de regularidade aos empreendimentos.
A Secretaria da Segurança Pública afirma monitorar grupos articulados por trás de empreendimentos clandestinos. Órgãos municipais e estaduais de Meio Ambiente realizam fiscalizações, com relatos de ações integradas desde 2019 para frear ocupações irregulares.
Moradores relatam circulação constante de caminhonetes e tratores nas áreas de Piavú, Barreira e Barreirinha, próximas à Praia de Camburi. Em Barreira, houve registro de aterramento em área alagada classificada como Área de Proteção Permanente, o que preocupa ambientalistas.
Documentos forjados aparecem como etapa anterior à venda dos terrenos, com ofertas de até 40% abaixo do preço de mercado. Intermediários que se apresentam como advogados chegam a registrar transações falsas para dificultar a fiscalização.
Estudos de monitoramento apontam que áreas como a APA Baleia-Sahy sofrem avanço do desmatamento, com aumento de denúncias de crimes ambientais em 2025 e nos dois primeiros meses de 2026. A prefeitura e a polícia foram cobradas pelo Ministério Público Estadual.
Segundo especialistas, a invasão é alimentada pela demanda habitacional litorânea, levando famílias a buscar terrenos na mata para perto das praias, ainda que haja riscos de deslizamentos e impactos ambientais. Técnicos destacam a necessidade de combate coordenado entre autoridades.
A prefeitura sustenta que atua de forma permanente no combate ao desmatamento e ao parcelamento do solo, com autuações e ações integradas. Dados oficiais indicam dezenas de operações, desmontes e embargos realizados nos últimos anos.
A região de Camburi, Barreira e Barreirinha registrou crescimento expressivo de construções irregulares conforme monitoramentos, enquanto a Baleia Verde também mostrou alta significativa. O ICC aponta que desmatamento irregular compromete recursos hídricos e planejamento urbano.
Em meio à disputa, famílias de baixa renda continuam sob risco em encostas e áreas de preservação, com relatos de medo de represálias. Especialistas ressaltam que a ocupação irregular acarreta riscos de desastres e envolve complexa relação com habitação e mercado imobiliário.
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