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Moradores de São Sebastião relatam medo de invasões de terras

Moradores de Camburi relatam medo de invasões de terras e grilagem de luxo; desmatamento avança e é investigado pela polícia

Grilagem, construção irregular e desmate avançam na região; Secretaria da Segurança diz que suspeitos de ‘empreendimentos clandestinos de ocupação do solo’ estão sendo identificados
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  • Moradores de São Sebastião relatam medo de invasores de terras e grilagem de luxo em Camburi e arredores, com propostas de compra de terrenos sob contratos de gaveta.
  • Desmate e construção irregular avançam na região, em áreas consideradas congeladas por ações civis públicas e decisões da Justiça desde 2019.
  • Órgãos públicos dizem estar fiscalizando: Secretaria de Meio Ambiente do estado e da prefeitura relatam ações. A Secretaria de Segurança investiga grupos articulados por trás de empreendimentos clandestinos.
  • Ministério Público pediu explicações à prefeitura e à polícia sobre desmatamento, grilagem e parcelamento ilegal do solo dentro e fora da Área de Proteção Ambiental Baleia-Sahy.
  • Dados e relatos apontam atuação coordenada de crimes ambientais, uso de equipamentos caros e ocupação rápida da mata, com denúncias registradas pelo ICC e ações de apreensão e embargos pelo município.

A região de Camburi, em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, vive sob tensão por grilagem de terras, desmatamento e invasões de áreas congeladas pela Justiça. Moradores relatam medo de invasores e de perder terrenos sem registro, com operações frequentes de fiscalização em curso.

A reportagem do Estadão mostra que áreas como Piavú, Barreira, Barreirinha, Baleia Verde e Vila Sahy estão sob medidas de proteção desde 2019, quando ações civis públicas foram acatadas pela Justiça para frear ocupação irregular e especulação imobiliária. Mesmo assim, surgem novas construções e vendas de lotes.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, investiga-se a atuação de grupos articulados que promovem empreendimentos clandestinos. Acesso rápido a ferramentas e o uso de horários estratégicos indicam planejamento para evitar a atenção das autoridades.

A prefeitura informa que atua em conjunto com as polícias, encaminhando informações para apuração por meio de inquérito policial. O município também aponta ações para combater desmatamento, supressão de vegetação e parcelamento do solo em áreas de Mata Atlântica.

O Ministério Público de São Paulo pediu explicações à prefeitura e à polícia sobre denúncias de desmatamento, grilagem e parcelamento ilegal do solo, especialmente dentro da Área de Proteção Ambiental Baleia-Sahy. O inquérito envolve áreas protegidas com grande importância ambiental.

O Instituto Conservação Costeira e o Ministério Público apontam desmatamento coordenado e ação rápida, com uso de tratores, motosserras e venda de terrenos sem registros. Técnicos defendem que os núcleos congelados visam conter ocupações, mas o ritmo da expansão continua.

Segundo especialistas, a valorização imobiliária acompanha infraestrutura de acesso, como duplicação de vias e ligações rodoviárias, aumentando o interesse de moradores de maior renda e pressionando áreas de Mata Atlântica. A ocupação irregular, combinada a desastres climáticos, eleva riscos para a população.

O ICC registrou 79 denúncias de crimes ambientais em 2025, com mais 22 entre janeiro e fevereiro deste ano. Ambientalistas destacam dificuldades de mapeamento dos delitos pelas autoridades, mesmo com fiscalizações em andamento.

Na região, moradores relatam que as cercas são feitas com restos de obras e as ruas apresentam buracos. A cobrança central é pela efetiva aplicação de medidas de congelamento de núcleos para impedir novas ocupações e proteger áreas sensíveis.

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