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Nigéria desalojou 40 mil moradores de favela flutuante

Demolições em Makoko desalojam milhares, deixando famílias sem moradia e abrigos precários, enquanto crianças perdem espaço e apoio comunitário

Residents evacuate in a boat following forceful eviction and demolition of homes in the Makoko slum in Nigeria.
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  • Demolições em Makoko, Lagos, começaram em dezembro, atingindo moradias flutuantes da comunidade de pescadores.
  • O governo de Lagos demoliu mais de três mil casas, e estimativas indicam que mais de quarenta mil pessoas foram desalojadas.
  • Residentes resistiram, houve protestos e uso de gás lacrimogêneo por polícia durante as evacuações.
  • O governo afirma que as ações eram necessárias para segurança e renovação urbana e prometeu compensação, embora muitos duvidem recebê-la.
  • O treinador de futebol Joshua Idowu, que atuava com crianças do slum, perdeu contato com parte dos jovens e teme pelo retorno ou local onde foram relocados.

Makoko, condição de moradia, mudou drasticamente desde dezembro, quando a Demolição em Lagos intensificou-se na favela flutuante. Ainda assim, a rotina de Joshua Idowu, 37, no campo de futebol improvisado persiste aos sábados, mantendo uma linha de esperança entre ruínas. O jogo continua, mesmo com famílias deslocadas e incertezas sobre o futuro.

Idowu treina mais de 60 crianças entre 7 e 15 anos, que chegam de barco ou por passarelas. Ele lidera ritos religiosos em língua Egun antes dos treinamentos e vê o esporte como ferramenta de valores morais para os jovens da comunidade de Makoko, conhecida como a “Veneza da África”.

Elas são moradores de uma área alagadiça, na lagoa de Lagos, uma das mais antigas comunidades pesqueiras da região. A prática esportiva ocorre em um campo de areia, oposto às casas de madeira suspensas, onde crianças aprendem técnicas básicas de futebol sob a orientação de Idowu.

Demolições e deslocamentos

A partir de dezembro, o governo do estado de Lagos demoliu diversas moradias de Makoko, deixando muitos residentes sem alternativas de moradia. O déficit habitacional é acompanhado pela perda de pertences e pela necessidade de relocação de famílias inteiras.

As máquinas anfíbias derrubaram casas erguidas sobre estacas, causando quedas e enchentes na lagoa com objetos domésticos. O governo local demoliu mais de 3 mil casas, e a ONU estima que mais de 40 mil pessoas foram deslocadas.

Em resposta, moradores protestaram e foram acompanhados por forças de segurança. Observadores humanitários apontam que agressões e despejos ocorreram com pouco aviso prévio, incluindo ações que queimaram habitações durante o despejo.

Reações e impactos

A Assembleia Legislativa de Lagos interrompeu esforços de demolição em fevereiro devido à pressão pública. Líderes locais defendem a ação sob a justificativa de riscos de enchentes, incêndios e conformidade com padrões urbanos, citando planos de revitalização da orla avaliados em milhões de dólares.

Antes das demolições, Makoko abrigava até 300 mil pessoas. Hoje, famílias vivem em canoas, abrigos improvisados ou dependem de assistência de organizações não governamentais. Muitos pescadores relatam rendimento diário baixo e dificuldades de encontrar moradia estável.

Odin Idowu, liderança religiosa da Igreja Missionária de Makoko, descreve a situação como devastadora para crianças e famílias. Ele relata escassez de alimentos, falta de saneamento e dificuldades para manter estudos. O pastor aguarda informações sobre eventuais indenizações e novas moradias.

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