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Raro ovo de dinossauro retorna da extinção

Asin tibuok, sal de Bohol conhecido como ovo de dinossauro, ressurge com apoio de chefs e TikTok, após UNESCO reconhecer a necessidade de salvaguarda do ofício

National Commission for Culture and the Arts
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  • O asin tibuok, conhecido popularmente como “sal de ovo de dinossauro”, é produzido em Bohol, nas Filipinas, desde pelo menos o século XVI, em uma tradição de sal artesanal em potes de argila.
  • A produção declinou com o passar dos anos, e o governo manteve a exigência de iodar o sal desde 1995; em março de 2024 essa norma foi suspensa para facilitar a retomada.
  • O renascimento veio com a influência de TikTokers e chefs, após menções de personalidades como Erwan Heussaff em 2021 e aparições na cultura pop; em 2025, o asin tibuok foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial em Necessidade de Salvaguarda.
  • Em 2022, formou-se uma cooperativa de produtores com apoio do National Museum of the Philippines in Bohol e do British Museum, ampliando a divulgação e a produção.
  • O artesão Romano Apatay, de 68 anos, continua a produzir o sal, vendendo cerca de 240 unidades por mês a turistas, enfrentando jornadas de fogo de até 96 horas sem dormir.

Asin tibuok, também conhecido como sal de ovo de dinossauro, é um dos sais mais raros do mundo e é produzido apenas em uma pequena ilha. Em Bohol, Filipinas, esse artifício artesanal está sendo revivido por uma nova geração de produtores, chefs e curiosos das redes sociais.

Na oficina de palha de uma vila à beira-mar, o produtor Romano Apatay, de 68 anos, trabalha com brine em potes de barro suspensos sobre fogo de lenha. Ao fissurar os cascos, ele revela a esfera branca que carrega o peso histórico da prática que quase se perdeu.

História de uma tradição centenária

O sal asin tibuok é feito na ilha desde pelo menos o século XVII, com registros de um missionário espanhol. A técnica envolve filtrar água do mar e assar o sal dentro de orbs de barro. Pesquisadores apontam que a prática existia muito antes da colonização.

A pesquisadora Andrea Yankowski indica que comunidades costeiras participaram ativamente da produção ao longo dos séculos, com o sal sendo comercializado no interior e em outras ilhas. O ofício era transmitido de geração em geração, ligado à agricultura local.

Relevância e renascimento

Nos últimos anos, a produção reduziu-se drasticamente, com poucas famílias mantendo a tradição. A crescente valorização cultural impulsionou um renascimento, impulsionado por vídeos de TikTok e pela curiosidade de chefs jovens. A prática ganhou visibilidade internacional.

Em 2021, a presença digital de um influenciador filipino ajudou a popularizar o sal entre milhões de seguidores. Em 2023, o tema ganhou espaço na cultura pop ao ser destaque em uma série da Netflix. Em 2025, a UNESCO reconheceu a prática como Patrimônio Cultural Imaterial em Perigo, fortalecendo o esforço de preservação.

Papel da comunidade local

A histórica lei de 1995, que tornava o sal iodado obrigatório, reduziu a produção. Em 2024, essa regra foi revista, abrindo espaço para o ressurgimento do asin tibuok. Hoje, famílias de mangasinays voltam a trabalhar, com apoio de museus e de parcerias locais.

A cooperativa formada por antigos produtores, em 2022, consolidou a produção. Integram o grupo o National Museum of the Philippines em Bohol e o British Museum, que apoiaram recursos para laboratórios e oficinas tradicionais. Chefs renomados também demandam o sal.

Perspectivas e produção atual

A família Tan Inong, de Tan Inong Manufacturing, tornou-se referência na região. Verônica Salupan, irmã de Cris Manongas, destaca a intensidade do trabalho na etapa final de cozimento, que começa cedo e pode se estender por toda a tarde.

No trabalho de Apatay, as peças chegam a um estabelecimento próximo à casa dele, onde cerca de 240 unidades são vendidas por mês a turistas. O artesanato exige atenção contínua ao fogo e, por vezes, noites sem dormir para evitar incêndios. Mesmo assim, a valorização da tradição motiva os produtores.

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