- O romance Assim na Terra como embaixo da Terra, de Ana Paula Maia, ganhou notoriedade internacional ao entrar na longlist do Booker International, prestigiado prêmio britânico para bestos romances traduzidos.
- O livro, lançado pela Record em dois mil e dezessete e traduzido para o inglês pela Charco Press, concorre ao prêmio ao lado de autores consagrados como Mathias Énard e Daniel Kehlmann.
- A obra acompanha uma colônia penal isolada, onde o diretor Melquíades solta internos em noites de lua cheia; o protagonista Bronco Gil planeja escapar da violência institucional. O cão sem nome, primeiramente morto na história, simboliza o horror do universo da narrativa.
- A crítica e a imprensa destacam a prosa enxuta e o ambiente sombrio, com o New York Times classificando o livro como horror; a autora aponta vínculos entre a violência da prisão e a herança da escravidão.
- O próximo romance de Ana Paula Maia, intitulado O Tenebroso Brilho do Sol, deve sair no segundo semestre pela Companhia das Letras e se passa em uma cidade gaúcha devastada por enchente, centrando-se em um ritual fúnebre envolvendo roupas herdadas dos mortos.
Ana Paula Maia ganha reconhecimento internacional com seus livros de terror visceral. O romance Assim na Terra como embaixo da Terra, lançado pela Record em 2017 e publicado em inglês pela Charco Press apenas em 2023, disputa o Booker International como um dos 13 semifinalistas. A obra narra a vida em uma colônia penal, onde um cachorro sem nome morre precocemente, sinalizando o tom brutal e claustrofóbico do livro, que se apoia em uma violência física e simbólica para compor seu mundo.
O Booker International, criado para premiar romances traduzidos, tem alcance global. O júri destacou a prosa enxuta e a ambientação de horror, destacando a colônia como espaço de degeneração moral. A seleção acontece em fases: a lista de semifinalistas já foi anunciada, a lista final sai em breve e o vencedor será conhecido em maio. A edição de 2026 mantém o formato de premiar obras traduzidas de autores de diversas nacionalidades.
Ana Paula Maia, 48 anos, soma oito livros publicados e já recebeu prêmios no Brasil, como o São Paulo de Literatura, nas obras Assim na Terra… e Enterre seus Mortos. Internacionalmente, o livro De Gados e Homens, traduzido como Of Cattle and Men, ganhou o Republic of Consciousness Prize. A escritora revelou ao Brazil Journal ter sentido o impacto do Booker bounce apenas depois de observar a repercussão da indicação.
A trajetória de Maia envolve uma prolífica produção literária com foco em horror visceral. O material de origem aponta para uma colonização penal construída em área remota, onde um diretor enlouquecido solta internos para caçar, enquanto vestígios de horrores históricos emergem. A autora associa as temáticas à escravidão e às injustiças do sistema carcerário na América, observando conexões entre passado e narrativas presentes em seus textos.
The New York Times classificou On Earth as It Is Beneath como um livro de horror, avaliação que Maia recebeu com satisfação. A obra é marcada pela presença constante do sobrenatural de forma contida, privilegiando uma atmosfera gótica em que a maldição ancestral influencia os personagens. Em trabalhos posteriores, a autora amplia o uso de elementos míticos e eventos apocalípticos, mantendo, porém, uma estrutura centrada em locais isolados.
Natural de Nova Iguaçu, Maia foi alfabetizada pela mãe, professora, e desde a juventude combinou leitura, música e cinema com a escrita. Edgar Allan Poe é apontado pela autora como influência formative, sintetizada na criação de personagens recorrentes como Edgar Wilson, uma personificação de seu próprio universo ficcional. A obra evidencia uma linguagem seca que investiga a violência como essência humana.
O próximo romance de Maia, intitulado O Tenebroso Brilho do Sol, tem lançamento previsto para o segundo semestre pela Companhia das Letras. A narrativa se passa em uma cidade gaúcha devastada por enchente, sem a presença de Bronco Gil nem de Edgar Wilson. O enredo central envolve um ritual fúnebre em que vivos vestem roupas que pertenciam aos mortos, mantendo a estranheza que caracteriza a obra da autora.
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