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A revista que revolucionou os caminhos da arte no século 20

Livro traça a influência de Lacerba no Futurismo florentino e no Modernismo brasileiro, defendendo a liberdade e a modernização da arte

Lacerba: uma revista que foi publicada por dois anos, entre janeiro de 1913 e fevereiro de 1915, “foi palco de papel do futurismo” e influenciou Mário de Andrade a fundar o Modernismo - Arte sobre imagens extraídas do livro Lacerba e o Futurismo Florentino
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  • Novo livro da professora Annateresa Fabris, da USP, traça a trajetória de Lacerba (Florença, 1913–1915) e sua influência no Futurismo florentino e no Modernismo brasileiro.
  • A revista surgiu para preencher espaço na circulação artística, após críticas a La Voce; Papini e Soffici são vistos como precursores da renovação cultural italiana.
  • Contou com colaboradores como Umberto Boccioni, gerando debates sobre o papel da arte nas vanguardas; houve exposições em Paris e em Roma.
  • O nome Lacerba deriva de L’ Acerba, tratado medieval; a publicação defende liberdade artística, anti-burguesia e, a partir de 1914, posição intervencionista na guerra.
  • Lacerba encerrou-se dois dias antes da Itália entrar na guerra, em 24 de maio de 1915, com a percepção de que sua missão cultural havia se cumprido.

A professora da USP Annateresa Fabris lança o livro *Lacerba e o Futurismo Florentino*, pela Editora da USP (Edusp), que reconstitui a trajetória da revista italiana Lacerba (1913-1915). O foco é mostrar como a publicação promoveu o Futurismo florentino e influenciou o Modernismo no Brasil, especialmente Mário de Andrade.

A obra apresenta a gênese da revista, associada à insatisfação com La Voce, e aponta Papini e Soffici como protagonistas. Fabris destaca a disputa entre a tradição cultural italiana e a renovação promovida pelos autores, que buscaram uma linguagem artística mais autônoma e provocativa.

O estudo detalha a participação de figuras-chave, como Umberto Boccioni, Papini e Soffici, e analisa os embates internos entre as propostas estéticas. Também aborda as controvérsias sobre a relação entre arte, política e jornalismo na época.

Ao investigar momentos decisivos, a pesquisadora revela a transição de Lacerba de publicação quinzenal para semanal, o posicionamento intervencionista durante a Primeira Guerra e o encerramento da revista em 1915, dois dias antes da entrada da Itália no conflito.

Origem e motivações

Fabris explica que o nome Lacerba remete a um tratado medieval, L’ Acerba, de Cecco d’Ascoli, cuja crítica à Divina Comédia inspirou a revista. O título ganhou significados ao longo das interpretações históricas, segundo a pesquisadora.

Contribuições e impactos

A autora enfatiza a defesa da liberdade artística, da autonomia da arte e de uma estética que rompe com o passado. O público jovem de Florença acompanhou as disputas e a polêmica contra hábitos burgueses e o conformismo cultural.

Fecho e legado

O estudo aponta que o percurso de Lacerba ajudou a consolidar a ideia de uma cultura latina renovada, além de assinalar o papel de Florença na interseção entre Futurismo e Modernismo. A obra também discute o envolvimento de seus autores no início da participação italiana na guerra.

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