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Theaster Gates doa pot de sua coleção aos descendentes de ceramista escravizado

Theaster Gates doa vaso de Dave the Potter aos descendentes do ceramista escravizado; obra devolvida pelo MFA Boston e exibida em Nova York

Theaster Gates inside the exhibition, Dave: All My Relations at Gagosian's 821 Park Avenue location in New York, with the historic work by David Drake from his personal collection that he is gifting to Dave's descendants, and seated on a new sculpture he made by pulverizing around 45 of his own pots Photo: Maris Hutchinson
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  • O artista Theaster Gates presenteou uma jarra de Dave the Potter (David Drake), ceramista escravizado, aos descendentes de Drake, em exposição no Gagosian, Nova York.
  • A mostra Dave: All My Relations fica no espaço da Park Avenue e traz duas peças de Drake, uma já restitída aos herdeiros pelo Museu de Arte da Massachusetts (MFA Boston) no ano passado.
  • A outra peça, vinda do acervo particular de Gates, também será devolvida aos descendentes de Drake.
  • A jarra de 1857 traz a inscrição “I wonder where is all my relation”, referência à separação forçada de Drake de familiares, segundo a narrativa da obra.
  • Gates transformou 45 potes de seu estúdio em um plinto de cerâmica e concreto para exibir a jarra, em gesto descrito como justiça poética e celebração da herança de Drake.

Theaster Gates inaugurou uma exposição em Nova York que celebra o ceramista escravizado David Drake, conhecido como Dave the Potter. O destaque é uma jarra de Drake, que faz parte de uma restituição institucional e será devolvida aos descendentes de Drake. A mostra fica na galeria Gagosian, em Park Avenue, e convoca também uma peça do acervo pessoal de Gates.

A obra de Drake já havia ganhado restituição parcial no ano passado, quando o Museu de Belas Artes (MFA) de Boston devolveu outra peça aos herdeiros. O objetivo é reconhecer aquilo que foi tomado durante a escravidão e manter vivo o legado artístico de Drake.

Restituição e contexto

Drake nasceu por volta de 1800 em Edgefield, Carolina do Sul, e faleceu por volta de 1874. Ele produziu cerâmica com esmalte alcalino e assinava as peças, mesmo diante de leis que restringiam o aprendizado de leitura e escrita entre os africano-americanos.

Gates desmontou 45 potes de seu próprio ateliê para criar uma base de concreto que sustenta a jarra de Drake, apresentando a casa como uma forma de justiça poética. O objetivo é colocar o legado de Drake acima da própria prática cerâmica de Gates.

Conexões com a família e trajetória

O artista iniciou contato com a família de Drake no ano passado, após ser contatado pelo advogado responsável pela restituição. Segundo relatos, nunca antes uma reivindicação de restituição envolvendo obras de escravidão tinha sido resolvida dessa maneira nos museus norte-americanos.

Gates passou a conhecer o trabalho de Drake em 2008, durante estudos de cerâmica com a professora Ingrid Lilligre. Esse encontro motivou uma linha de trabalhos que questionam a erasure histórica de artes negras.

Exposição e além

A mostra em Nova York incorpora a peça devolvida pelo MFA Boston e a coloca junto a obras de Gates que tratam de memória, propriedade e restitution. O conjunto revela uma narrativa de ressignificação do patrimônio cultural material.

O trabalho de Drake, feito entre 1850 e 1860, integra inscrições com versos e o próprio nome do artesão. A peça traz uma inscrição que remete às relações familiares de Drake, em uma referência poética ao restante da sua vida.

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