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Metrópoles ainda cultura do carro; precisa valorizar o transporte público

Paula Faria destaca mobilidade integrada como solução para reduzir congestionamentos, ampliar inclusão e exigir liderança política na transição ao transporte coletivo

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  • Paula Faria, palestrante do São Paulo Innovation Week, afirma que mobilidade urbana é inclusão, acesso e integração; modais isolados não funcionam.
  • Desafios atuais incluem congestionamentos, queda no uso do transporte coletivo e aumento do transporte individual, com necessidade de integração entre modais via tecnologia e dados.
  • Mobilidade como serviço e previsibilidade de deslocamentos, com uso de inteligência artificial e análise de dados, são considerados caminhos para melhorar tempo e custo.
  • O transporte sobre trilhos é fundamental, mas precisa de densidade e conexão com outros modais; prioridade de ações públicas é investir no transporte coletivo e em políticas estruturantes.
  • A mudança de mentalidade é essencial: glamourizar o transporte coletivo, promover inclusão, acessibilidade, calçadas seguras, ciclovias e ruas completas para a mobilidade urbana.

A mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras vive um momento de inflexão, pressionada por congestionamentos, redução do uso do transporte coletivo e avanço do transporte individual. A tecnologia abre novas possibilidades, mas exige aplicação inteligente das inovações. Assim, a especialista em cidades inteligentes Paula Faria aponta que modais isolados não funcionam sem integração.

Faria coordena a Necta e desenvolve iniciativas que conectam setor público e privado, como as plataformas CSC e P3C. Ela é uma das palestrantes do São Paulo Innovation Week, festival de tecnologia promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, que ocorre entre 13 e 15 de maio.

O evento acontece no Pacaembu e na Faap. Durante a entrevista, a especialista enfatiza que mobilidade não se resume a trânsito, mas envolve inclusão, acesso e interoperabilidade entre modais. O foco é transformar a experiência do deslocamento, com previsibilidade e custo adequado.

Integração entre modais

Para Paula Faria, a chave é a mobilidade como serviço, em que o deslocamento envolve bicicleta, caminhada, patinete, ônibus, metrô ou carro por aplicativo. A ideia é prever tempo e custo do trajeto, promovendo uma visão unificada do deslocamento.

A previsibilidade aparece como elemento central. Usuários deveriam conseguir estimar o tempo de cada etapa do percurso, com mudanças de trânsito refletidas de forma transparente. Essa confiança orienta escolhas de investimento e uso do sistema.

Tecnologias e prioridades

Entre as tecnologias citadas, a análise de dados e a inteligência artificial aparecem como pilares para monitorar padrões urbanos e fazer previsões. Ferramentas como o IA ajudam a planejar rotas, horários e tarifas de forma integrada.

Faria ressalta a necessidade de liderança política para colocar a mobilidade urbana como política estruturante, voltada à inclusão de educação, saúde e trabalho. Sem vontade pública, a tecnologia sozinha não transforma o sistema.

Estratégias e realidade

O transporte sobre trilhos é visto como fundamental, desde que conectado com outros modais e com infraestrutura de última milha, como ciclovias, calçadas seguras e iluminação adequada. Mesmo assim, a densidade populacional determina a viabilidade do metrô.

Ainda há desafios: queda de usuários do transporte público, investimentos insuficientes e disputas entre concessionárias e governos locais. Segundo a palestrante, soluções demandam uma visão de longo prazo e planos governamentais que priorizem a mobilidade.

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