- Ivani e Jorge Yunes começaram colecionando por curiosidade e, ao longo de cinco décadas, reuniram mais de trinta mil itens, com uma coleção que abrange mais de dois mil anos.
- A filha Beatriz e a neta Camila Guarita deram continuidade ao movimento, tornando a prática trabalho com foco em preservar obras como patrimônio; Camila é fundadora da consultoria de arte KURA.
- Dados do Global Collecting Survey mostram que, no Brasil, a média dos colecionadores é de 34 anos, com uma coleção de cerca de 56 obras, gastando menos que os chineses e mantendo foco em pinturas e esculturas de artistas homens consagrados.
- Brasileiros são menos propensos a planos formais de doação (21%) e mais propensos a manter as obras como legado familiar (80%), além de 69% quererem ampliar participação em eventos artísticos e 72% planejar comprar novas peças em 2026.
- No mercado brasileiro, há preferência por leilões (28%) e por galerias/lojas de arte (22%), com 20% comprando diretamente de artistas; Instagram ainda é pouco utilizado (8%), e questões tributárias afetam importações, enquanto mulheres já respondem por parte relevante dos gastos globais com arte (gasto superior ao masculino).
No começo, a busca por algo diferenciado levou Ivani e Jorge Yunes a adotar o colecionismo como estilo de vida. O casal, que fez fortuna no mercado editorial pedagógico, buscava uma obra para a sala de estar no Pacaembu e acabou mergulhando no mundo das artes ao longo de cinco décadas.
A coleção da família passou a abranger mais de 2.000 anos de história e superou a marca de 30 mil itens. O interesse inicial deu lugar a uma visão estratégica sobre patrimônio, conservação e significado cultural das obras.
Da casa ao mercado: a passagem das gerações
As filhas Beatriz Yunes Guarita e Camila Yunes Guarita consolidaram o interesse familiar em profissão. Hoje dirigem trabalhos, com foco em preservação, patrimônio e avaliação de acervos. Camila fundou a consultoria de arte KURA.
Camila ressalta que conservar a obra como patrimônio é fundamental, não apenas como investimento. A nova geração busca entender o mercado, planejar doações e ampliar o papel público da arte brasileira.
Perfil dos colecionadores brasileiros
Um estudo sobre 3.100 colecionadores em 10 países, realizado por UBS, Art Basel e Arts Economics, traz dados sobre o Brasil para 2024 e o primeiro semestre de 2025. Os brasileiros são mais jovens, com média de 34 anos, e acumulam coleções maiores.
Em média, o acervo do brasileiro conta com 56 obras, ainda centrado em pinturas e esculturas. A maioria compra obras de artistas consagrados e homens, mantendo o foco tradicional das coleções.
Mudanças no papel do colecionador
A construção da identidade do colecionador tem se tornado mais profissional. No Brasil, o envolvimento com feiras, galerias e museus aumenta, e o uso de consultores de arte cresce para orientar acervos.
Apesar de volumer de doações formais ainda ser baixo (21%), os colecionadores brasileiros planejam ampliar participação em eventos e adquirir novas obras em 2026. O legado familiar continua presente em 80% dos casos.
Novos hábitos de compra e desafios
Entre as preferências de compra, leilões, dealers e compras diretas com artistas aparecem como canais de maior uso. O uso de redes sociais, como o Instagram, ainda é menos comum entre compradores locais.
O estudo aponta que a cena brasileira ganha visibilidade internacional, com participação crescente em feiras e aquisição de obras nacionais. Um desafio apontado envolve questões tributárias, com mudanças de ICMS impactando fluxos de importação.
Panorama econômico e perspectivas
Segundo a pesquisa, o Brasil se destaca por manter a demanda por arte, relógios, bolsas, automóveis clássicos e itens de alto valor. A maior participação feminina no mercado, ao longo de 18 meses, indica tendência de disparidade de gênero nas compras, favorável às obras de artistas mulheres.
Os dados abrangem mercados dos EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Suíça, China, Hong Kong, Singapura, Japão e Brasil, oferecendo comparação internacional. Os números refletem o dinamismo recente do setor no país.
Entre na conversa da comunidade