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Indígena no Xingu aprende português para salvar aldeia, diz biógrafo

Ao aprender português, o líder Nahu Kuikuro protegeu a aldeia Ipatsé e influenciou a demarcação do Alto Xingu; o neto biógrafo busca conservar a memória

Brasília (DF), 08/04/2026 - O escrito indígena Yamaluí Kuikuro Mehinaku, durante entrevista para Agência Brasil, no Acampamento Terra Livre. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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  • Na década de quarenta, o líder indígena Nahu Kuikuro aprendeu português para defender a aldeia Ipatsé, no Alto Xingu.
  • A biografia, escrita pelo neto Yamaluí Kuikuro Mehinaku, ganhou o Prêmio da Biblioteca Nacional no ano passado e é intitulada Dono das palavras: a história do meu avô.
  • Ao dominar o idioma, Nahu conseguiu barrar interferências de brancos, ajudando a proteger as raízes do povo e contribuindo para a fundação do Parque Indígena do Xingu e as articulações com os Villas-Boas.
  • Fornecedor de contato de confiança, ele traduziu entre as 16 etnias da região e influenciou a demarcação da terra em 1961, assinada pelo presidente Jânio Quadros.
  • O neto afirma que o avô pediu que conhecimentos e memórias orais virassem documentos para as novas gerações protegerem a cultura e o território; Yamaluí está em Brasília para o Acampamento Terra Livre.

Nahu Kuikuro, líder indígena do Alto Xingu, aprendeu português na década de 1940 para defender a aldeia Ipatsé, onde vivia. O biografado foi o primeiro na região a dominar o idioma, segundo o escritor Yamaluí Kuikuro Mehinaku, neto e autor do livro Dono das palavras: a história do meu avô.

A obra, premiada pela Biblioteca Nacional no ano passado, mostra Nahu como elo entre o povo Kuikuro e agentes não indígenas. Ao falar português, ele contornou interferências externas e ajudou a proteger as raízes da aldeia.

Yamaluí está em Brasília para participar do Acampamento Terra Livre, evento que reúne mais de 7 mil indígenas e promove protestos e visibilidade das causas tradicionais. O escritor ressalta que o objetivo também envolve intercâmbio cultural.

Ele passou a ser contato de confiança para os Villas-Boas, recebendo Orlando, Cláudio e Leonardo durante expedições na região. O avô, órfão de pai, aprendeu o idioma sem intenção original, apenas para atender às expectativas da família.

A atuação de Nahu rendeu-lhe o título de tradutor entre a etnia e os não indígenas, segundo a narrativa do neto. Com domínio de 16 línguas da região, ele usou a comunicação como ferramenta estratégica para o povo.

Segundo Yamaluí, o avô influenciou a demarcação da Terra Indígena do Xingu, em 1961, assinada pelo presidente Jânio Quadros. Além disso, Nahu era mestre de cantos e detentor de saberes diversos que repassou aos netos.

O biógrafo decidiu transformar a memória oral em livro para que as futuras gerações não percam a história do patriarca. Ele também relembra encontros com presidentes da República e com o marechal Cândido Rondon, primeiro diretor do Serviço de Proteção ao Índio.

A obra aponta a necessidade de valorizar as trajetórias dos povos originários nas escolas da região. Yamaluí critica o ensino atual, que, segundo ele, privilegia a cultura externa em detrimento das figuras indígenas.

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