- A dentista Priscilla Janaína Bovo é alvo de denúncias de pacientes que alegam falhas em procedimentos estéticos, com paralisia facial entre julho e novembro de 2025 em Ribeirão Preto.
- Vítimas afirmam que ela teria falsificado diplomas médicos e mentido sobre especialidade em cirurgias faciais, além de divulgar protocolo de remoção de biopolímeros como PMMA.
- Uma paciente relatou cirurgia em julho de 2025 com acordo de presença de médico no centro cirúrgico; ela acordou sem sentir o rosto e realizou duas cirurgias reparadoras entre outubro de 2025 e março de 2026.
- Outro paciente, Evandro, de 43 anos, também realizou procedimento com PMMA e precisou de reconstrução, morando na Áustria; ele informou que continua em tratamento.
- O Hospital São Lucas afirmou que Priscilla nunca foi médica, apenas cirurgiã-dentista; a Cremesp investiga o caso em sigilo, e a SSP confirmou três boletins de ocorrência, incluindo um por lesão corporal.
A dentista Priscilla Janaína Bovo está no centro de denúncias de pacientes que afirmam ter ocorrido falhas em procedimentos estéticos. As queixas vieram à tona nesta terça-feira (14), pouco depois de Priscilla se manifestar publicamente nas redes contrárias às acusações.
As vítimas apontam que a profissional teria falsificado diplomas médicos e mentido sobre especialização em cirurgias faciais, com o suposto uso de um protocolo exclusivo para remoção de biopolímeros, como PMMA. Os casos teriam ocorrido entre julho e novembro de 2025, resultando em paralisia facial em pacientes.
Duas pessoas procuraram Priscilla por insatisfação com procedimentos anteriores. Elas afirmam que a dentista apresentava uma carreira extensa na área de cirurgia estética da face e promovia um protocolo exclusivo de remoção de biopolímeros, não recomendado pela Anvisa.
Investigação e declarações
Uma advogada de 50 anos relatou ter buscado Priscilla para retirar produtos usados em um procedimento de 2012 realizado por outro profissional. Ela afirma que, anos depois, partes do rosto ficaram duras, com o produto acumulado. A cliente encontrou o nome da dentista em sites de busca e confiou na propaganda de um protocolo.
Segundo o relato, em julho de 2025 houve uma cirurgia em que houve a presença de um médico no centro cirúrgico para monitorar a segurança. Ao acordar, a paciente relatou perda de sensação facial, sendo orientada pela dentista a aguardar até seis meses para a recuperação.
A mesma paciente disse ter enfrentado dificuldades para respirar e mastigar, com parte do lado esquerdo do rosto paralisado. Jaqueline realizou duas cirurgias reparadoras entre outubro de 2025 e março de 2026 e aguarda novos procedimentos de reconstrução.
Evandro, de 43 anos, também procurou Priscilla para remoção de PMMA e colocação de prótese. Depois da cirurgia, ele foi internado com risco de complicações e, quatro dias depois, precisou de nova intervenção para reconstrução facial. Ele mora na Áustria e, segundo ele, não conseguiu retornar ao país para tratamentos adicionais.
Em redes sociais, Priscilla afirmou que está sendo atacada sem ouvir as pessoas, e que todos os procedimentos por ela realizados são comunicados aos pacientes. A dentista diz que as cirurgias realizadas por ela são funcionais e reparadoras, não exclusivamente estéticas.
O Hospital São Lucas, onde a dentista teria atuado, disse em nota que Priscilla nunca se apresentou como médica, apenas como cirurgiã-dentista. O hospital descreveu as denúncias como mentiras fantasiosas e reforçou a identificação da profissional como cirurgiã-dentista.
A Cremesp informou que investiga o caso, com tramitação sigilosa. A SSP informou à CNN Brasil que há três boletins de ocorrência relacionados ao hospital, incluindo um que envolve lesão corporal, registrado pelo 1º DP de Ribeirão Preto, e outros dois pela Delegacia Eletrônica.
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