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Nova estratégia curatorial do LACMA marca mudança significativa

LACMA reorganiza acervo em torno de oceanos, rompendo silos e conectando obras de várias culturas para estimular novas leituras históricas

© Todd Gray; photo: © Museum Associates/LACMA/Kristina Simonsen
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  • A nova estratégia curatorial do LACMA reorganiza o acervo ao redor de oceanos e mares, conectando obras de diferentes períodos e mídias para romper silos tradicionais.
  • O novo edifício David Geffen Galleries oferece espaço para cruzar linhas disciplinar, permitindo que curadores apresentem obras de várias áreas em diálogo, criando leituras multipistas.
  • O conceito de “corpos d’água” funciona como nó curatorial: o Mediterrâneo, o Atlântico, o Indian e o Pacífico passam a ser vias de circulação de objetos, ideias e pessoas.
  • Entre as obras-chave estão o conjunto de trabalhos que ancoram a exposição: Todd Gray, Octavia’s Gaze; Kashmir Map Shawl; Ruth Asawa, Untitled; El Anatsui, Fading Scroll; Diego Rivera, Flower Day; a deusa Atena da era clássica e a natureza de Clara Peeters, Still Life with Cheeses, Artichoke, and Cherries.
  • Curadores destacam que a integração de mídias enriquece a leitura da história da arte e das relações transatlânticas, ampliando a experiência perceptiva do público.

O LACMA está reorganizando seu acervo permanente ao redor de temas ligados a oceanos e mares, no âmbito da estratégia curatorial apresentada pelas novas David Geffen Galleries. A proposta questiona hierarquias históricas e integra obras de mídias distintas para criar fluxos de circulação entre objetos, ideias e pessoas.

Sob a direção de Michael Govan, o museu estimulou curadores a romper silos disciplinares. Em vez de reproduzir o modelo Beaux-Arts, os 45 curadores foram convidados a pensar conectando galerias, culturas e épocas, aproveitando o novo espaço curvilíneo para ampliar relações entre obras.

A ideia norteadora, lançada por curadores juniores, utiliza os corpos d’água como núcleos curatoriais. Med pela Mediterrâneo e pelos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico, o conceito mostra como água impulsionou circulação de objetos, ideias e pessoas ao longo da história. A seleção traz sete pontos de ancoragem.

Novas obras em destaque

Todd Gray assina Octavia’s Gaze, uma escultura de 27 pés apresentada na entrada das novas galerias. Emoldurada por fotografias e objetos, a obra enfatiza conexões transatlânticas entre arte africana e latino-americana, com ênfase na presença de figuras como Octavia Butler. O trabalho utiliza impressão em alumínio para resistir à luz natural.

Kashmir Map Shawl, do século XIX, é outra aquisição recente em exibição. O xale representa Srinagar sob domínio Mughal, com símbolos rotulados em Kashmiri e a Geografia estruturando a composição. A peça ilustra como tecidos viajavam para a Europa como itens de luxo no século 19.

Ruth Asawa, Untitled (1954), ocupa a galeria Pacific Ocean, onde a luz natural realça as formas entrelaçadas da obra. A escultura de arame cria sombras complexas, dialogando com outras peças que exploram transparência e superfície, como as de Larry Bell e Roni Horn.

El Anatsui, Fading Scroll (2007), usa fios de cobre e tampas de garrafa para formar uma tapeçaria metálica. A obra, que utiliza materiais reaproveitados, dialoga com o comércio atlântico e com história de memória e identidade nas Américas.

Diego Rivera, Flower Day (1925), antigo acervo do museu, reúne obras de artistas indígenas e latino-americanos da segunda metade do século XX. A pintura remete a redes de intercâmbio entre culturas e ao papel das flores na construção de identidades, com referências a ligas históricas entre oriente e ocidente.

A exposição também destaca a presença da deusa Atena na seção Mediterrâneo, conectando artes grega, egípcia e romana. A curadoria propõe leituras multicanais, com visões que atravessam espaços como o Cantor Sculpture Garden, onde obras antigas convivem com instalações contemporâneas.

Clara Peeters, Still Life with Cheeses, Artichoke, and Cherries (1625), evidencia a riqueza de trocas globais no século XVII. A representação realça porcelanas chinesas, sal e outros bens ligados ao comércio europeu, refletindo a prosperidade e as redes de mercado da época.

O objetivo é oferecer uma leitura integrada da coleção, incentivando o visitante a observar as obras sob diferentes perspectivas de tempo, técnica e lugar. A proposta busca transformar a percepção de hierarquias históricas ao enfatizar circulação e conectividade.

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