- Filósofo sul-coreano Byung-Chul Han expõe a ideia da “sociedade do desempenho” em A Sociedade do Cansaço (2010), atualização da visão de Foucault.
- A lógica atual reorganiza tempo, descanso e valor da vida em torno da produção, levando a depressão e burnout.
- O imperativo “tu podes” substitui o “não podes”; o inimigo deixa de ser externo, já que o próprio sujeito se explora.
- Entre as obras do autor, destacam-se A Sociedade da Transparência (2012), No Enxame (2013) e Psicopolítica (2014).
- Han afirma novamente que a sociedade confunde felicidade com rendimento e sucesso, com debates centrados nesse tema; há ainda referência a documentário sobre burnout e suicídios na Coreia.
Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, afirma que a sociedade moderna confunde felicidade com rendimento. A explicação vai além do estresse: a lógica que organiza tempo, descanso e o valor da existência é central nesse debate.
O livro A Sociedade do Cansaço, lançado em 2010, atualiza a leitura de Michel Foucault. A sociedade disciplinar do século XX seria substituída por uma sociedade do desempenho, em que o imperativo não é “não pode” e sim “pode”.
Ao internalizar a obrigação de produzir, o sujeito passa a ser explorador e explorado simultaneamente, sem agente externo a responsabilizá-lo. As consequências clínicas citadas são depressão e burnout, descritos como doenças neurais da positividade. No Brasil, a obra é publicada pela Editora Vozes.
Conceito-chave
Na antiga sociedade disciplinar havia um inimigo visível. Na sociedade do desempenho, o inimigo desaparece porque o indivíduo adota a produção como projeto de vida. Expressões como aproveitar cada minuto mostram como o tempo livre foi colonizado pelo rendimento, com exercícios e hobbies transformados em métricas.
O sujeito compete consigo mesmo, o que impede a conclusão. A meta desloca-se continuamente para a frente, tornando a sensação de suficiência estruturalmente impossível e permanente.
Outras obras e contexto
Nascido em Seul em 1959, Han estudou na Alemanha e atua como professor em Berlim. Entre as obras centrais, destacam-se A Sociedade da Transparência (2012), No Enxame (2013) e Psicopolítica (2014). Cada uma aborda, sob uma lente crítica, os impactos do neoliberalismo, da tecnologia e da visibilidade digital.
O filósofo reforçou recentemente a tese de que a sociedade moderna confunde felicidade com rendimento e sucesso, sinalizando que o debate continua central em sua agenda. Um documentário do canal CLINICAND – Psicanálise e Esquizoanálise, com 10,4 mil inscritos e quase 200 mil visualizações, registra Han discutindo burnout, sociedade disciplinar e suicídios na Coreia do Sul.
Entre na conversa da comunidade