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Mulheres muçulmanas denunciam agressões e discriminação no Brasil

Relatório da USP aponta discriminação islamofóbica contra mulheres muçulmanas, com ataques, demissões e impacto no cotidiano

Pesquisa da USP ouviu 328 mulheres muçulmanas que relataram experiências de discriminação
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  • A USP divulgou o 3º Relatório de Islamofobia Brasil, com relatos de 328 mulheres muçulmanas sobre discriminação no país.
  • A maioria das entrevistadas percebe discriminação (92,2%) e 80% afirmou ter vivenciado preconceito diretamente.
  • O hijab, marca visível da fé, aparece em muitos relatos e há recorrentes episódios de preconceito xenófobo e associações entre muçulmanas e terrorismo.
  • As agressões vão da humilhação verbal a ataques físicos, como pedras e joelhadas; houve casos em espaços públicos e em ambiente de trabalho.
  • As entrevistadas incluem brasileiras convertidas e estrangeiras, com relatos indicando que a islamofobia permeia rua, transporte e mercado de trabalho.

O 3º Relatório de Islamofobia Brasil, coordenado pela professora Francirosy Barbosa da USP, aponta que não há políticas públicas específicas para enfrentar o preconceito contra muçulmanos no país. O estudo ouviu 328 mulheres muçulmanas, cujos relatos foram anonimizados.

As pesquisadoras destacam que as entrevistadas costumam usar o hijab, o que as coloca em situação de vulnerabilidade. Entre as notas, a maioria afirma que a discriminação é constante e que o preconceito se manifesta tanto no espaço público quanto no mercado de trabalho.

92,2% das participantes disseram que há discriminação contra muçulmanas no Brasil, e 80% reportaram ter sofrido preconceito diretamente. As experiências abrangem brasileiras convertidas e mulheres de famílias muçulmanas, incluindo estrangeiras que vivem no país.

Natureza dos relatos e impactos

Os relatos enfatizam episódios de humilhação, ofensas religiosas e xenofobia, com frequentes insinuações associando o hijab a terrorismo. Em alguns casos, o preconceito ganha contornos de violência física, mesmo em ambientes urbanos como ruas e transportes.

Casos ocorridos no ambiente de trabalho também aparecem: há relatos de demissão por usar o véu ou de impedimento de manter o sustento devido à prática religiosa. Uma entrevistada mencionou orientação de RH de que o islamismo não é parte da cultura da empresa.

A pesquisa cita episódios de agressões físicas, como ataques em shoppings e palavras de ataque em público, além de censuras a uso de véu para manter empregos. Em muitos relatos, homens aparecem como autores do preconceito, incluindo violência contra as mulheres.

Segundo as entrevistadas, o Brasil pode ter uma imagem de acolhimento que contrasta com o que acontece na prática: atos discriminatórios e preconceito que acompanham rotinas diárias, em espaços públicos e privados. A pesquisa reforça que islamofobia, xenofobia e violência de gênero se entrelaçam.

O estudo conclui que a islamofobia no Brasil é uma experiência recorrente que atravessa o cotidiano, trazendo insegurança entre as mulheres muçulmanas, com impactos em mobilidade, trabalho e convivência social. Autoras destacam a necessidade de políticas públicas efetivas para enfrentar o problema.

As pesquisadoras ressaltam que o preconceito não é exclusivo de um grupo específico, envolvendo tanto brasileiras convertidas quanto imigrantes ou residentes de origem islâmica. O relatório ressalta a importância de medidas que promovam proteção, educação e fiscalização de atos discriminatórios.

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