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O que esquecemos ao falar de Giacometti

Livro reavalia Giacometti entre 1935 e 1945, mostrando como crises nacionais moldaram sua escultura e redefiniram a relação entre figura e espaço

A person walks past Alberto Giacometti's "Le Nez", part of the Macklowe Collection, at Sotheby's on November 5, 2021, in New York City. (Photo ANGELA WEISS/AFP via Getty Images)
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  • O artigo discute a transição de Alberto Giacometti, do Surrealismo para a abordagem Existencialista, com foco em obras de 1935 a 1945.
  • Joanna Fiduccia apresenta o livro Figures of Crisis, que redefine esse período como um núcleo pivotante na obra do artista, não apenas uma pausa.
  • O estudo analisa cabeças em gesso, pequenas figuras montadas, trabalhos com estudo de modelos vivos e o projeto para a Exposição Nacional da Confederação Suíça de 1939, todos vistos sob novas perspectivas históricas.
  • A autora questiona categorias tradicionais da arte moderna, explorando como crise, nacionalismo e política influenciaram a figura e a forma, afastando binarismos simples entre abstração e semelhança.
  • O texto destaca o ressurgimento do interesse por Giacometti, com mostras contemporâneas, diálogos museográficos e a criação do Musée & École Giacometti em Paris, previsto para 2028.

A pesquisadora Joanna Fiduccia apresenta no livro Figures of Crisis: Alberto Giacometti and the Myths of Nationalism uma leitura que reposiciona o período 1935 a 1945 na produção de Giacometti. O trabalho não trata esse intervalo como pausa, mas como um centro transformador da obra do artista.

A autora propõe que o retorno de Giacometti à escultura de retratos a partir de modelos vivos, nos anos 1930, é decisivo para entender a relação entre forma, representação e crise. Ela analisa bustos, figuras em miniatura e objetos de estudo que desafiam categorias entre surrealismo e existencialismo.

O livro questiona raciocínios consolidados sobre modernismo, nacionalismo e trauma. Fiduccia integra estudos de Giacometti com referências a Rodin, Brancusi, Dalí e outros, para mostrar como o artista negociou técnicas, escala e materialidade diante de contextos históricos conturbados.

Além de obras em plaster heads e pequenas esculturas, a obra traz o design para a Exposição Nacional da Suíça de 1939, cuja realização foi descartada pelos colegas. O projeto, de baixa escala, levanta debates sobre monumentalidade e identidade nacional.

A publicação enfatiza ainda o envolvimento de Giacometti com a paisagem social ao redor das peças. A pesquisadora aponta que o artista buscou ativar o espaço vazio ao redor dos sujeitos, influenciando leituras de artistas posteriores, como Judd e Serra.

O lançamento coincide com uma agenda institucional de Giacometti no Reino Unido e nos EUA, com Barbican Center promovendo exposições que dialogam com artistas contemporâneos. Em Boston, o MFA apresenta um diálogo imaginário entre Giacometti e Rothko.

No Brasil, a crítica destaca a relevância do estudo para entender a relação entre crise, política e criação na modernidade. O museu dedicado a Giacometti, previsto para 2028 em Paris, deverá consolidar a maior coleção da obra em um único espaço, com mais de 10 mil itens.

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