- PF aponta MC Ryan SP como líder da organização criminosa que movimentou cerca de R$ 260 bilhões e foi preso na Operação Narco Fluxo.
- Investigações indicam uso de empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos de apostas ilegais e rifas digitais.
- Sistema incluía blindagem patrimonial com transferências a familiares e laranjas, para distanciar o capital da pessoa física do cantor; bens como imóveis, veículos de luxo e joias teriam sido usados.
- O principal operador do grupo seria Rodrigo Morgado, preso na Operação Narco Bet; Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, seria o grande operador de mídia do esquema.
- PF aponta escudo de conformidade com projeção artística e alto engajamento para legitimar as movimentações; possível conexão com o PCC; foram cumpridos 33 de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão, além de sequestro de bens e apreensão de veículos.
O Ministério da Polícia Federal informou que Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, é apontado como líder da organização criminosa responsável por movimentar cerca de R$ 260 bilhões. O cantor foi preso nesta quarta-feira, durante a Operação Narco Fluxo, voltada à lavagem de dinheiro. A ação aconteceu no território nacional, com medidas realizadas em diversos estados.
Segundo a PF, o artista seria o principal beneficiário econômico da estrutura e teria utilizado empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para mesclar receitas legais com recursos originários de apostas ilegais e rifas digitais. Entre as empresas citadas estão MC Ryan SP Produção Artística Ltda e Ryan SP – Holding Patrimonial Ltda.
A investigação indica que Ryan utilizou mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias para familiares e terceiros, os chamados laranjas, com o objetivo de distanciar o capital da pessoa física do cantor. Valores movimentados seriam convertidos em imóveis de luxo, carros de alto padrão e joias.
Principais operadores e envolvimento da mídia
O principal operador do grupo é identificado como Rodrigo Morgado, que se autodenomina contador e foi preso na mesma operação Narco Bet, que prendeu o influenciador Buzeira. Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, também é citado como grande operador de mídia do esquema, recebendo para divulgar conteúdos e promover plataformas de apostas e rifas.
A PF aponta que o esquema se sustentava sob um “escudo de conformidade” criado pela projeção artística e pelo alto engajamento dos envolvidos, o que ajudaria a naturalizar as movimentações financeiras e mascarar recursos ilícitos como receitas do setor artístico.
Moldes do esquema e abrangência
A investigação aponta três eixos para ocultar a origem do dinheiro: pulverização de ativos, dissimulação com criptoativos e interposição de terceiros, incluindo uso de laranjas. A operação envolve ainda indícios de conexão com o PCC, com Frank Magrini apontado como operador financeiro e possível financiador do início da carreira de Ryan.
Ao todo, 33 de 39 mandados de prisão temporária foram cumpridos, além de 45 de busca e apreensão em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal. Também houve bloqueio patrimonial e sequestro de bens, com apreensão de veículos de luxo e estimativa de cerca de R$ 20 milhões em valores apreendidos.
Defesas e posicionamentos
A defesa de MC Ryan SP afirmou ainda não ter acesso ao procedimento sigiloso e reforçou a necessidade de esclarecer os fatos, mantendo a expectativa de que a verdade será demonstrada. A defesa de Raphael Sousa Oliveira afirmou que os serviços prestados pela Choquei foram de publicidade de fato lícita, sem participação em esquema criminoso.
A defesa de Rodrigo Morgado destacou atuação técnica como contador, assegurando que as movimentações financeiras seriam lícitas e que a documentação pertinente será apresentada ao juiz oportunamente. A defesa reiterou a inocência e a confiança na verificação legal dos fatos.
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