- Relatório do Tech Transparency Project identifica apps em lojas de Android e iOS que, com inteligência artificial, tiram a roupa de pessoas, incluindo menores de idade.
- Apps já foram removidos por violarem políticas das plataformas, mas a pesquisa encontrou diversos resultados ao buscar termos como “nudificar”, “tirar a roupa” e “deepfake”.
- Ao todo, os aplicativos listados foram baixados mais de 483 milhões de vezes e geraram ao menos US$ 122 milhões em receita, principalmente via publicidade.
- Em alguns casos, havia a possibilidade de criar chatbots de IA com a aparência da pessoa retratada para conversas em texto.
- O Grok, IA de Elon Musk, costuma aparecer entre os primeiros resultados das buscas, e 31 aplicações tinham classificação indicativa livre, permitindo acesso a menores.
Apple e Google seguem permitindo que apps em lojas oficiais facilitem o uso de IA para remover roupas de pessoas, inclusive menores de idade. O alerta vem de um relatório do Tech Transparency Project, que aponta violações às políticas das plataformas.
Segundo o estudo, uma busca simples e a análise de anúncios na Google Play Store e na App Store encontram diversas ferramentas voltadas a gerar montagens com mulheres nuas ou em situações eróticas, muitas sem consentimento. Em alguns casos, apps criam chatbots com a aparência da pessoa retratada.
- Os programas pegam fotos reais e, com IA, geram deepfakes. As imagens podem ser compartilhadas entre grupos e, em certos cenários, usadas para extorsão ou crimes.
- Em alguns apps, além da mudança de vestuário, foi possível criar interações em texto com a aparência da pessoa retratada.
- A pesquisa identificou mais de 40 resultados para termos como nudificar, tirar a roupa e deepfake, entre anúncios pagos e sugestões automáticas de busca.
Os aplicativos avaliados somam mais de 483 milhões de downloads e, segundo análises de empresas especializadas, teriam gerado pelo menos US$ 122 milhões em receita, com forte uso de publicidade dentro do serviço. Grok, IA associada a Elon Musk, aparece entre os primeiros resultados de várias buscas.
- Em alguns casos, os apps exibem classificação indicativa livre, o que os torna visíveis para menores de idade.
- A pesquisa anterior já havia denunciado a presença desses softwares nas lojas da Apple e do Google no começo do ano, sem que o problema tenha sido plenamente solucionado.
O que as empresas dizem
Após a divulgação, Apple e Google sinalizaram a remoção de diversos aplicativos que retiram roupas de pessoas. As companhias afirmam que essas ferramentas violam as regras de suas lojas.
A Apple afirmou ter entrado em contato com desenvolvedores para que os apps sejam alterados, sob pena de remoção caso não respondam. A plataforma também disse que colabora com autoridades para coibir esse tipo de uso indevido.
A Apple e o Google reforçam que mantêm políticas rígidas contra conteúdo que explore ou viole a privacidade de indivíduos. Autoridades e especialistas ressaltam a necessidade de vigilância contínua e atualização de mecanismos de detecção.
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