- A exposição “Said in Stone” no Peabody Essex Museum apresenta, pela primeira vez, uma mostra abrangente da escultora Edmonia Lewis.
- A mostra destaca obras que trazem a marca de uma artista negra e indígena em busca de reconhecimento histórico, reunindo mais de cem anos de produção em um único espaço.
- Entre as peças está Forever Free (1867), considerada a primeira representação visual da emancipação por uma artista negra americana.
- Outras esculturas em destaque incluem Indian Combat (1868), Hiawatha (1868), Longfellow (1871) e Hagar in the Wilderness (1875), além de um retrato de Colonel Robert Gould Shaw (1864).
- A mostra segue em rota para o Georgia Museum of Art no outono e para o North Carolina Museum of Art na próxima primavera.
A exposição “Said in Stone” no Peabody Essex Museum (PEM) marca a primeira retrospectiva abrangente da escultora Edmonia Lewis, figura central do século XIX. Em 2026, mais de cem anos após a passagem de suas esculturas pelo mundo, as obras ficam reunidas para revelar uma trajetória de resistência e protagonismo criativo. O PEM apresenta Lewis como uma artista afro-nativa que enfrentou obstáculos significativos para moldar a história em pedra.
A mostra destaca a importância de Lewis como pioneira a retratar a emancipação de forma visual. Em destaque, Forever Free (1867) representa, até onde se sabe, a primeira imagem formal de emancipação criada por uma artista negra nos Estados Unidos. A peça mostra um homem com a corrente quebrada erguida, ao lado de uma mulher em oração, interpretando o momento histórico como marco de libertação.
Entre as gravuras e esculturas da exposição, aparecem Indian Combat (1868), Hiawatha (1868) e Hagar in the Wilderness (1875). Pequenas nuances nas peças evidenciam a fusão de influências indígenas e afro-americanas sob uma técnica lapidada. Também está presente o retrato de Colonel Robert Gould Shaw (1864), que remonta à participação dos soldados negros da 54a Massachusetts na luta contra a escravidão.
Interpretações e contexto histórico
A curadoria enfatiza a busca de Lewis por uma “proveniência” das próprias identidades, ou seja, o modo como a autora assina sua origem em cada obra. A mostra sugere que Lewis carregou a herança de suas comunidades para o exportar da América para a Europa, onde fez parte de uma diáspora de esculturas que dialogam entre continentes.
A exposição disponibiliza ainda uma leitura sobre o papel de Lewis na formação de narrativas nacionais, ao articular memória, história e mito em seu trabalho. A curadoria convida o público a refletir sobre a trajetória de uma mulher que, mesmo diante de condições adversas, consolidou uma voz artística singular.
Perspectivas de circulação
Após permanecer no PEM, a mostra deverá viajar a outras instituições dos Estados Unidos. A itinerância prevê apresentações na Georgia Museum of Art no outono e no North Carolina Museum of Art na temporada seguinte. A curadoria ressalta o caráter de reivindicação histórica que a mostra representa, reunindo as obras sob um mesmo teto pela primeira vez.
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