- Portugal mantém o projeto de expansão da PrEP sem financiamento, bloqueando a implementação apesar de aprovado.
- Estima-se que entre 6.000 e 6.500 pessoas já usem PrEP no país; seriam necessários entre 20.000 e 40.000 para impactar a transmissão, com investimento de cerca de € 3 milhões por ano.
- Organizações como GAT, Abraço e Liga Portuguesa Contra a Sida defendem um modelo de acompanhamento comunitário para ampliar o acesso, reduzindo a dependência de hospitais públicos.
- A lista de espera está acima de 700 pessoas, com o acompanhamento atual do GAT em cerca de 400; novas admissões foram suspensas pela falta de verba.
- Portugal teve metas internacionais até 2030 para reduzir novas infecções, mas a cobrança é de que seja preciso investimento para ampliar a PrEP e chegar a mais pessoas.
Portugal não avançou com a implementação de um projeto de PrEP, a prevenção pré-exposição ao HIV, deixando centenas de pessoas em lista de espera. O texto aprovado, porém ainda sem financiamento, impede a expansão de uma ferramenta considerada essencial pela saúde pública.
A PrEP oferece proteção de até 99% quando tomada de forma correta por pessoas HIV-negativas com maior risco de exposição. Mesmo com recomendações de ONUSIDA e do Centro Europeu de Prevenção, em Portugal a cobertura atual está aquém das necessidades apontadas por especialistas.
Organizações do setor denunciam bloqueio financeiro que trava a resposta a quem precisa. O diretor do GAT, Luis Mendão, afirma que o projeto existe, mas não há verba para pô-lo em prática, limitando a oferta atual de prevenção.
- Movimento comunitário proposto
GAT, Abraço e a Liga Portuguesa Contra a Sida defendem um modelo de acompanhamento comunitário da PrEP, mais próximo da população e menos dependente de unidades hospitalares. O objetivo é ampliar rapidamente o número de pessoas em prevenção ativa.
Estimativas indicam que entre 6.000 e 6.500 pessoas já utilizam PrEP em Portugal. Ainda assim, seria necessário alcançar entre 20.000 e 40.000 para reduzir significativamente a transmissão, com investimento estimado em cerca de 3 milhões de euros por ano.
> Estamos muito longe do mínimo necessário para ter impacto na epidemia, afirma Mendão.
A proposta de expansão envolve acompanhamento descentralizado por equipes especializadas, reduzindo a pressão sobre o hospital e acelerando o acesso. O bloqueio é financeiro, segundo as organizações, que apontam o custo de aproximadamente 300 euros por pessoa, para até 10 mil usuários anuais, sem verba dedicada para 2025.
O custo da prevenção é defendido como mais baixo do que o tratamento vitalício do HIV. Mendão ressalta a relação custo-benefício da prevenção frente ao tratamento contínuo.
Lista de espera e capacidade restrita
Enquanto o projeto permanece parado, a resposta atual fica sobrecarregada. O GAT acompanha cerca de 400 pessoas em PrEP; há mais de 700 na lista de espera e novas admissões foram suspensas pela falta de financiamento para equipes médicas e de enfermagem.
Temos mais de 700 pessoas à espera e não é possível abrir novas vagas por restrições financeiras, explica o responsável do GAT. A procura pela PrEP segue alta, sobretudo entre grupos com maior exposição ao vírus.
No modelo vigente, o acesso pelo SNS depende de consultas em hospitais especializados. Segundo as organizações, a primeira consulta pode chegar a demorar até um ano, gerando desigualdade entre quem pode pagar e quem depende do setor público.
Além do atraso no programa comunitário, há preocupação com a ausência de financiamento estável para prevenção e rastreio. Em 2024, o GAT realizou mais de 40 mil testes rápidos de HIV, representando grande parte dos 68 mil realizados no país; em 2025, o total passou de 45 mil, mas houve limitação pela falta de recursos.
A dependência de ONGs para rastreio evidencia fragilidade estrutural no sistema, segundo os responsáveis.
Padrões internacionais e metas para 2030
Portugal assumiu compromissos com metas da ONUSIDA para reduzir novas infecções até 2030. Contudo, a cobertura atual da PrEP está abaixo do necessário, e a expansão sem financiamento agrava o desequilíbrio entre metas e realidade.
Se houver desejo de cumprir as metas de saúde pública, é preciso ampliar a escala de atuação, dizem Mendão e colegas. Enquanto isso, centenas de pessoas aguardam um tratamento preventivo reconhecido como altamente eficaz, ainda sem acesso pleno.
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