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Inverno na Transamazônica, dupla evita atolamentos na Amazônia

Inverno na Transamazônica resgata caminhão atolado na BR-319 em menos de dez minutos, destacando atuação voluntária frente lamaças e estradas críticas da Amazônia

Inverno na Transamazônica — Foto: Murilo Góes/Autoesporte
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  • Thiago Correia e Raphaell Groeff, do canal Inverno na Transamazônica, resgataram um caminhão atolado próximo ao km 400 da BR-319 em meio a fortes chuvas, usando uma corda presa a um reboque.
  • O duo ganhou notoriedade desde 2021, quando começou a registrar resgates no interior do Pará, inicialmente entre Uruará e Placas, e ampliou para a região da Transamazônica.
  • A Transamazônica, com quatro mil e duzentos e sessenta quilômetros, corta sete estados brasileiros, mas a promessa de desenvolvimento não foi cumprida e a estrada permanece em estado precário.
  • A Autoesporte acompanhou quase 1.500 quilômetros entre Manaus e Porto Velho, além de mais 500 quilômetros na Transamazônica, e verificou que ao menos três caminhões foram desatolados durante o trajeto.
  • Os resgates são voluntários, com apoio público quase inexistente; o casal sustenta o veículo e as operações com patrocínios de peças e serviços, mantendo a L200 com modificações para enfrentar os atoleiros.

A chuva transformou a BR-319, próxima ao km 400, na chamada Rodovia Fantasma, em lamaçal na Floresta Amazônica. Um caminhão Mercedes-Benz Atron 1319 atolou, ocupando quase toda a pista, restando apenas espaço para passagem lateral.

A dupla Thiago Correia e Raphaell Groeff, do canal Inverno na Transamazônica, agiu rapidamente. Amarraram uma corda a partir do reboque da Mitsubishi L200 e travaram no caminhão com uma anilha de aço. Em menos de 10 minutos, o caminhão saiu do atoleiro.

O canal exibiu, ao longo de anos, dezenas de resgates em estradas tão críticas quanto a BR-319. O projeto nasceu de Thiago, ganhou força com Raphaell a partir de 2021 e foca principalmente o interior do Pará, entre Uruará, Placas e áreas da Transamazônica.

O que é o Inverno na Transamazônica

A Autoesporte percorreu 1.500 km entre BR-319 e Transamazônica e acompanhou a atuação da dupla, que já desatolaram ao menos três caminhões. O trabalho acontece sobretudo na temporada de chuvas, de dezembro a junho.

A Transamazônica tem 4.260 km e passa por sete estados: Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas. A construção prometia desenvolvimento, mas, ao longo de décadas, ficou abandonada em muitas regiões.

Thiago e Raphaell costumam operar com a L200 2011/2012, motor 3.2 turbodiesel e modificações para off-road. O veículo tem guincho, para-choques de aço e pneus MUD para lama. O time combate atoleiros e presta apoio a outros motoristas.

Como funciona o resgate e o apoio

Os resgates são voluntários e, muitas vezes, realizados com o apoio de equipamentos próprios, sem recursos públicos estáveis. Em casos graves, equipes especializadas com guinchos aparecem, mas a dupla sinaliza e oferece suporte logístico.

O atendimento ao público é frequente em dezenas de comunidades ao longo da BR-319 e da Transamazônica. Transmissões em tempo real pelo YouTube mantêm moradores informados sobre os locais atingidos e as condições das vias.

Apesar do reconhecimento local, o apoio governamental é limitado. O DNIT é citado como único órgão com atuação direta em trechos de responsabilidade federal, caso haja manutenção oficial. Fora isso, a atuação depende de voluntários e da comunidade.

A dupla afirma manter o veículo com recursos próprios, até pela escassez de patrocínios. Thiago, formado em administração, descreve a atividade como complementar à infraestrutura pública ausente na região. Raphaell atua no cultivo de cacau e na vida rural.

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