- A advogada Carolina Câmara afirma ter acionado o botão do pânico cerca de cinquenta vezes, registrando treze boletins de ocorrência após denunciar o ex-companheiro por agressão; ela diz que a medida protetiva, em vigor desde setembro de 2025, não foi cumprida.
- A Justiça determinou, em novembro, o uso de tornozeleira eletrônica e o fornecimento do botão do pânico; no entanto, Carolina teve dificuldade para conseguir o equipamento, devido à fila de Goiás, onde há apenas seiscentos aparelhos.
- Em setembro de 2025, a violência teve sequência com agressões graves, levando a vítima a ficar quase dez dias no hospital; o agressor foi preso em flagrante pela polícia pela manhã, mas liberado na mesma dia.
- O botão do pânico não funcionou como esperado: houve cerca de cinquenta acionamentos, com apenas um atendimento policial; os encontros do ex próximo à residência e ao trabalho continuaram, inclusive de madrugada.
- A defesa de Gabriel Braga sustenta que não houve violação real das restrições e que não houve episódio concreto de contato, enquanto Carolina pediu a retirada da medida protetiva; o caso inclui também ações por lesão corporal e uma demanda cível de indenização.
Carolina Câmara, advogada de Goiânia, afirma ter sido alvo de ameaças constantes do ex-namorado, Gabriel Bessa Braga, mesmo após denunciação por agressão e o início de uma medida protetiva. Ela registrou 13 boletins de ocorrência e acionou o botão de pânico cerca de 50 vezes, sem que a proteção cumprisse integralmente o seu papel.
A Justiça impôs, em novembro, o uso de tornozeleira eletrônica e o botão do pânico para Câmara, em resposta às violação de contato, distanciamento, comunicação por redes sociais e recolhimento noturno pelo agressor. Contudo, a advogada relata dificuldades de acesso ao equipamento no estado de Goiás, com apenas 600 aparelhos disponíveis.
Ainda segundo Câmara, o ex-namorado continuou circulando próximo a sua residência e ao local de trabalho, principalmente durante a madrugada, o que acionou repetidamente o alarme. Ela descreve o botão como um instrumento que deveria trazer segurança, mas que passou a gerar medo.
Contexto do relacionamento
O namoro começou em fevereiro de 2023, após apresentação por aplicativo. A advogada diz ter percebido o comportamento abusivo de forma gradual, com isolamento de amigos e restrição de contato com a família. Ela alega que a violência inicialmente veio de forma sutil, evoluindo com o tempo.
A agressão física ocorreu na casa do pai de Câmara, quando o namorado mexeu no celular e reagiu com violência após ser questionado. Ela relata insultos e tentativas de justificar o episódio como provocação, seguido de períodos de silêncio e controle subsequente.
Estopim e consequências
Em setembro de 2025 ocorreram novas agressões, incluindo enforcamento, agressões físicas e arraste pelo imóvel. Câmara afirma ter ido ao hospital quase diariamente por quase dez dias, com inúmeras consultas. O relacionamento terminou nesse episódio, e vizinhos chamaram a polícia, resultando em um registro de ocorrência.
O agressor foi preso em flagrante pela manhã, mas liberado na audiência de custódia. Câmara ingressou com ação por lesão corporal e, em novembro, conseguiu a decisão judicial para uso do botão do pânico, aliado à tornozeleira.
Uso do botão do pânico
A previsão é que, com a aproximação do agressor, o sistema vibre, emita alerta e, com a pressão de dez segundos, acione a central policial para envio imediato de uma viatura. Na prática, a advogada afirma que apenas um atendimento ocorreu entre cerca de 50 acionamentos.
Ela relata que as aproximações ocorriam principalmente à noite, com respostas de autoridades de que o agressor seria apenas advertido, e que os boletins de ocorrência por descumprimento foram arquivados por tratar-se de trânsito próximo. A última ocorrência ocorreu em janeiro, com avaliação de risco pela delegacia.
Situação atual e desdobramentos
A família de Câmara vive em estado de alerta, com a mãe em vigilância constante e os avós morando na casa da vítima. Em dezembro, o Ministério Público pediu a prisão preventiva do agressor, mas o pedido foi negado. O caso aguarda recurso.
A advogada decidiu solicitar a retirada da medida protetiva, citando falhas no atendimento policial e judicial. Ela enviou uma carta aos advogados em 8 de abril relatando as deficiências, sem atualização pública até o momento.
Há três ações em andamento: a medida protetiva, o processo de lesão corporal com audiência prevista para maio e um processo cível de indenização. Mesmo com a repercussão, Câmara afirma que o medo persiste, buscando uma situação de maior segurança.
Defesa do réu
A defesa de Gabriel Braga afirma que já se passaram cerca de sete meses sem qualquer episódio concreto de violação das medidas protetivas, contestando a narrativa pública de risco permanente. Segundo os advogados, não houve justa causa para persecução criminal e os registros foram baseados em conjecturas.
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