- O veredito pela maior chacina do Distrito Federal soma mais de mil anos de prisão aos réus.
- Afiadas as reações, Alzira Pereira, mãe de uma vítima, criticou a condenação de um réu que poderá cumprir pena em regime semiaberto, dizendo que ele “não foi menos pior que ninguém” e que entregou Thiago para morrer.
- Antônia Lopes de Oliveira, idosa de 92 anos, mulher de fé, disse que a condenação cumpre um rito, mas não paga um fio de cabelo do bisneto Rafael; ela pede que os réus vivam para sentir remorso.
- Antônia mantém postura de perdão religioso, afirmando que quer ver os réus vivos para entenderem o que fizeram, enquanto Alzira questiona a clareza dos quesitos no julgamento.
Dois cavalos de frente para o passado. O veredito sobre a maior chacina do Distrito Federal definiu penas que somam mais de mil anos de prisão para os réus, trazendo alivio e restauração de luto às famílias das vítimas. Entre as presentes, Alzira Pereira e Antônia Lopes de Oliveira representaram as diferentes faces do drama vivido pelas familiares.
Ao deixar o plenário na noite de 18 de abril, Alzira, 52 anos, expressou indignação com a condenação do único réu que pode cumprir pena em regime semiaberto. A jurados, ela afirmou que o homem envolvido no sequestro da vítima Thiago, que completaria 34 anos no dia 19, não merece tratamento diferenciado. A fala refletiu o sentimento de que a Justiça não reduz a dor de quem perdeu um familiar tão cedo.
Ao lado, Antônia Lopes de Oliveira, cuja neta, três bisnetos e demais parentes também foram assassinados, participou dos seis dias de julgamento segurando um terço. A mãe de Marco Antônio, avó de Gabriel, Thiago e Ana Beatriz, sustentou que a leitura dos quesitos deixou dúvidas sobre a imputação de homicídios a familiares. Ela pediu clareza e respeito à memória das vítimas.
Para Antônia, a sentença recorde cumpre um rito, mas não repara a perda. Ela afirmou que a punição não restitui o fio de cabelo de Rafael, seu bisneto, falecido na chacina. A idosa, que perdeu peso e parte da audição e visão, mantém uma postura de serenidade e fé, defendendo a necessidade de enfrentar a culpa com responsabilidade.
Antes da leitura, Antônia passou por um momento de oração para chegar ao último dia de júri. A artesã que quase foi a 11ª vítima declarou que não deseja piedade, mas sim respeito à sua história. Ela ressaltou que a memória das vítimas merece tratamento digno por parte da sociedade.
O veredito também foi alvo de debates entre as famílias. Alzira planeja retornar ao Rio de Janeiro, apontando que as leis brasileiras ainda carecem de severidade para crimes tão bárbaros. Antônia, que hoje retorna ao Gama, afirmou que a misericórdia divina sustenta seu ânimo diante da perda irreversível.
A leitura da sentença trouxe, para as famílias, um misto de alívio e amargura. Os réus foram condenados por crimes graves cometidos na chacina que marcou o DF, com destaque para a condenação mais alta já registrada no território. O contraste entre justiça formal e dor pessoal permanece latente.
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