- Áudios obtidos pela Polícia Federal e exibidos pelo Fantástico sugerem tratativas diretas sobre valores e formas de circular recursos suspeitos em um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo rifas, apostas online e jogos ilegais.
- MC Ryan e MC Poze do Rodo foram presos na operação da PF, que mira um esquema que, segundo investigações, movimentaria valores bilionários por meio de empresas de fachada, contratos de shows e outras movimentações ligadas a artistas.
- Trechos das gravações mostram acordos financeiros e orientações para ocultar a origem do dinheiro, incluindo estratégias para não declarar bens em nome do artista.
- A Polícia Federal aponta que Ryan seria líder e beneficiário do esquema, com participação de um contador e operadores financeiros; a investigação cita uso de familiares e laranjas para blindar o patrimônio.
- A defesa de Ryan diz que ele possui origem lícita dos recursos e que não teve acesso aos detalhes do procedimento; a operação Narco Fluxo também prendeu o empresário Raphael Sousa Oliveira, dono da Choquei, e envolve mais de trinta investigados.
Áudios obtidos pela Polícia Federal reforçam o envolvimento do MC Ryan em um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a rifas e jogos ilegais. As gravações, exibidas pelo Fantástico neste domingo, trazem tratativas sobre valores e repasses entre o cantor, o contador e operadores financeiros. A investigação apura um esquema que movimentaria recursos bilionários.
A PF também aponta que o fluxo de dinheiro seria inserido na economia formal por meio de empresas de fachada, contratos de shows e movimentações ligadas a artistas e intermediários. O objetivo seria ocultar a origem ilícita dos recursos obtidos com apostas e rifas clandestinas.
Segundo o material apresentado, o contador Rodrigo Morgado participava do planejamento da circulação financeira. Em diálogos, há menções a valores para divulgar casas de aposta e a necessidade de estruturar entradas e saídas de dinheiro. Morgado está preso desde 2025.
Evidências e áudios
Em um trecho exibido, Morgado questiona a contratação de um artista para divulgação de uma casa de aposta ilegal, oferecendo valores que variam conforme a proximidade com o músico. Ryan responde com uma faixa de honorários entre 300 e 400 mil, dependendo da relação com o contratante.
Há referência a evitar que as movimentações apareçam de forma irregular, com orientação para não registrar bens em nome de Ryan. A PF sustenta que o cantor teria ciência de parte das operações e participaria ativamente da estruturação financeira, conforme apurado nas gravações.
A investigação aponta que Ryan utilizava empresas ligadas à produção musical para misturar receitas lícitas com dinheiro de apostas, incluindo a criação de estruturas com participação de familiares e de laranjas para blindar o patrimônio. A prática seria acompanhada de investimento em imóveis, veículos e joias.
Prisões e contexto da operação
A operação Narco Fluxo resultou na prisão de Ryan e de Poze do Rodo, ambos já detidos pela PF. Também foi capturado Raphael Sousa Oliveira, dono da Choquei, apontado como operador de mídia que recebia altos valores por divulgar conteúdos, promover apostas e gerenciar imagem.
A investigação envolve mais de 30 investigados e se concentra no litoral paulista, onde tramita a ação na 5ª Vara Federal de Santos. A defesa de Ryan afirmou que não teve acesso integral ao processo e que todos os valores em suas contas possuem origem comprovada, sob controle tributário adequado.
A entrevista com a defesa não respondeu de imediato a perguntas adicionais, incluindo a tentativa de contato feita pela reportagem com as páginas ligadas a Raphael. A PF continua monitorando as movimentações para esclarecer o escopo do esquema.
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