- Lynda Wilkes-Green sofreu com períodos debilitantes por mais de uma década antes de receber o diagnóstico de PCOS em 2020, aos 28 anos.
- PCOS é um desequilíbrio hormonal que afeta ovários, menstruação e fertilidade; estima-se que até 70% das mulheres com a condição ainda não tenham sido diagnosticadas no mundo.
- O manejo foi inicialmente tratadoo com pílula anticoncepcional, que não melhorou os sintomas e, em alguns casos, piorou o quadro, incluindo o agravamento da PMS.
- Após testar várias abordagens, ela adotou mudanças de estilo de vida e criou o aplicativo Ahlya, investindo €80 mil de sua poupança para oferecer acompanhamento symptom tracking e insights personalizados.
- A iniciativa de Wes Streeting sobre uma nova Estratégia de Saúde da Mulher busca reduzir o gaslighting na assistência médica; a notícia ressalta a necessidade de diagnóstico mais precoce e educação sobre saúde feminina.
O caso de Lynda Wilkes-Green expõe atrasos no diagnóstico de PCOS e a suposta desvalorização de sintomas femininos na saúde pública. Diagnosticada em 2020, aos 28 anos, após mais de uma década de busca por respostas, ela relata sofrimento intenso causado por cólicas, vômitos e crises de dor associadas ao ciclo menstrual.
A paciente iniciou o relato aos 16 anos, quando as dores do período menstrual eram tão fortes que a levaram a buscar atendimento médico repetidamente sem obter diagnóstico definitivo. Em 2020, a caminho da formação profissional como advogada, ela recebeu o diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos (PCOS) e passou a receber tratamento com pílula anticoncepcional, sem educação ou suporte adequados na época.
Segundo Wilkes-Green, a expectativa de que a pílula resolvesse tudo não se confirmou. As dores permaneceram, e os sintomas de ansiedade e depressão intensificaram-se durante a fase lútea. Diversos ajustes de dosagem e tipos de contraceptivos foram tentados sem eficácia consistente, levando a momentos de sofrimento e fadiga.
A evolução pessoal incluiu um afastamento das terapias farmacológicas em busca de opções mais eficazes. A investigadora autônoma passou a pesquisar diagnóstico e manejo por meio de fontes públicas, livros e redes de apoio. Ela percebeu que o manejo da PCOS envolve alterações de estilo de vida e abordagens holísticas, com foco em alimentação, treino de força e redução de certos gatilhos alimentares.
Como resultado, Wilkes-Green desenvolveu uma prática de monitoramento de sintomas e criou uma ferramenta digital. O aplicativo Ahlya foi lançado com o objetivo de ajudar mulheres a identificar padrões de dor, inchaço e fadiga, oferecendo insights personalizados para melhorar a qualidade de vida. A iniciativa avançou com investimento próprio de aproximadamente €80 mil e já alcançou cerca de 1.500 downloads globalmente.
A história de Wilkes-Green ganhou reforço público com o anúncio de uma nova Estratégia de Saúde da Mulher, encabeçada pelo governo. O objetivo é evitar situações de desinformação médica e “gaslight” no atendimento, tema que vem à tona em debates sobre saúde reprodutiva feminina. Estima-se que a pesquisa médica voltada para gravidez, parto e saúde reprodutiva feminina ainda receba uma parcela muito pequena do total de financiamentos.
A paciente envolve-se, ainda, na defesa de educação sobre saúde da mulher, hormônios e tratamentos holísticos, destacando a necessidade de diagnóstico mais precoce para reduzir a sobrecarga no sistema público. Ela aponta que atrasos de mais de uma década são inaceitáveis e defende maior apoio a jovens mulheres para prevenir sintomas não tratados ao longo dos anos.
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