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Mutilação genital de bebês na Colômbia: mulheres lutam para encerrar o ciclo

Na Colômbia, mutilação genital persiste entre emberás; lei para erradicação avança, com relatos de danos à saúde e resistência cultural

Para vidas como a de Carla Quiñonez, a mutilação genital feminina na comunidade emberá é um ciclo difícil de interromper
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  • A Colômbia é o único país da América Latina que registra mutilação genital feminina, prática presente em comunidades emberá e afrocolombianas, com maior incidência em Risaralda.
  • Dados oficiais mostram 26 casos em 2025 até outubro, 54 em 2024 e 91 em 2023; muitos casos não são registrados.
  • A prática ocorre em comunidades isoladas, com relatos de procedimentos após o nascimento; a Organização Mundial da Saúde classifica quatro tipos de mutilação genital feminina.
  • O Hospital San Jorge de Pereira atende casos com frequência; médicos apontam subregistro e observam danos permanentes nas pacientes.
  • Em 2025 a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei para prevenir, atender e erradicar a mutilação, ainda pendente de aprovação no Senado; ativistas trabalham pela educação e diálogo com as comunidades.

Uma reportagem reúne relatos sobre a mutilação genital feminina na Colômbia, prática ainda presente entre comunidades emberá e afrocolombianas. O caso de Carla Quiñonez evidencia o ciclo de violações que afetam mulheres desde a infância.

Dados oficiais indicam casos registrados no país, concentrados principalmente em Risaralda, no noroeste. Questões de acesso a serviços de saúde e isolamento territorial dificultam a detecção e o tratamento. Muitas meninas não chegam a hospitais próximos.

A OMS descreve quatro tipos de mutilação genital feminina, variando de remoção total do clitóris a alterações na abertura vaginal. Profissionais de saúde atendem casos diários, mas reconhecem que muitos não chegam a registros formais.

No hospital de Pereira, a pediatra Diana Ramos Mosquera trabalha para aprimorar o atendimento e registrar informações. Ela afirma que o número oficial pode representar apenas a “ponta do iceberg” devido ao isolamento das comunidades.

A cultura não mata

Juliana Domico, correspondente da confederação Emberá, afirma que a prática não faz parte da identidade cultural. Ela defende educação e mudança, ressaltando que o costume não pode justificar danos permanentes.

Entre as autoridades indígenas, ainda há resistência ao tema, o que complica a comunicação sobre prevenção e assistência. Muitas mulheres desinformadas relatam dificuldades ao buscar atendimento médico.

A legislação brasileira sobre o tema avançou na Câmara, após casos midiáticos no Parque Nacional de Bogotá. Parlamentares ressaltam a necessidade de proteger vidas e evitar punições desagregadoras para quem atua pela proteção das meninas.

A proposta em análise propõe prevenção, atendimento e erradicação, com foco em reduzir mortes e complicações. O objetivo é ampliar registros e facilitar o acesso a serviços de saúde, educação e proteção, especialmente em zonas isoladas.

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