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Cidade brasileira abriga palácios em ruínas que resistem ao tempo e foguetes são lançados

Patrimônio Nacional desde mil novecentos e quarenta e oito, Alcântara preserva quatrocentos imóveis enquanto a base de foguetes opera junto às ruínas

A cidade brasileira onde dezenas de palácios em ruínas resistem ao tempo e foguetes são lançados // IMAGEM ILUSTRATIVA
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  • Alcântara, no Maranhão, é reconhecida como Cidade Monumento Nacional desde 1948 pelo IPHAN, com o perímetro oficial delimitado em 1997 e ampliado em 2004, protegendo cerca de quatrocentos imóveis.
  • A cidade foi polo da produção açucareira e algodoeira, com arquitetura de influências portuguesas; o fim do ciclo e a abolição da escravatura levaram ao abandono aristocrático e à preservação do conjunto.
  • Entre os imóveis de destaque estão as Ruínas da Igreja Matriz de São Matias, a Igreja do Carmo, o Palácio Negro, o Forte de Santa Maria e o pelourinho, remanescentes de um período de riqueza histórica.
  • A cidade abriga ainda o Centro de Lançamento de Alcântara, base da Força Aérea Brasileira integrada à Agência Espacial Brasileira, que completou seu quinhentésimo lançamento em março de 2023 com a Operação Astrolábio.
  • A Ilha do Cajual, fósseis que evidenciam ligações com a África, compõe o patrimônio arqueológico, ao lado de áreas de proteção ambiental; o acesso principal acontece por via marítima a partir de São Luís.

Alcântara, cidade histórica maranhense, foi tombada como Patrimônio Nacional, reconhecendo seu conjunto arquitetônico e urbano de valor cultural, histórico, artístico, paisagístico e arqueológico. O tombamento ocorreu em 22 de dezembro de 1948 pelo Decreto nº 26.077, assegurando proteção a parte expressiva do município.

A proteção ganhou contornos mais precisos em 1997, com lei municipal que delimitou o perímetro. Em 2004, o IPHAN ampliou o enquadramento, incluindo cerca de 400 imóveis sob proteção, conforme dados da Superintendência do IPHAN no Maranhão.

O legado do algodão e a transformação da cidade

A origem remonta a 1648, quando Tapuitapera ganhou status de vila. Nos séculos seguintes, Alcântara destacou-se na produção açucareira e algodoeira, com exportação para a Europa. Os laços com Portugal moldaram a arquitetura local, com azulejos, cantarias e brasões nobiliárquicos.

Ao longo do século 19 o ciclo do algodão chegou ao fim, e a abolição da escravatura ocorreu em 1888. A aristocracia rural deixou a região, e o isolamento geográfico converteu o cuidado com o patrimônio em prática de muitos anos de esquecimento, preservando boa parte do acervo.

Histórias marcantes e destaques do núcleo histórico

Conta-se que Dom Pedro II gerou a aposta de receber a comitiva imperial, com dois proprietários erguidos palácios para hospedar a futura visita. A visita nunca ocorreu, mas os palácios vazios passaram a compor o conjunto de ruínas.

Entre as peças de valor está a Igreja Matriz de São Matias, com paredes intactas; a Igreja do Carmo; o Palácio Negro, restaurado pelo IPHAN em 2007; o Forte de Santa Maria, do século 18; o Museu Histórico de Alcântara; e o pelourinho em pedra portuguesa, entre os mais preservados do país.

Alcântara hoje: ciência, foguetes e sítios arqueológicos

A cidade abriga uma relação singular com o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), base da FAB integrada à AEB. Inaugurada em 1983 e operando desde 1989, a base fica próxima às ruínas e utiliza a rotação da Terra para reduzir consumo de combustível nos lançamentos.

Em 2023, a operação Astrolábio marcou o 500º lançamento, em parceria com a empresa sul-coreana Innospace. Nas proximidades, a Ilha do Cajual guarda fósseis de espécies que traçam vínculos com a África, evidenciando a geologia antiga da região. Parte da Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense também compõe o cenário de importância internacional.

Como chegar a Alcântara

O acesso ocorre principalmente por via marítima. Catamarãs e barcos partem do Cais da Praia Grande, em São Luís, até a Baía de São Marcos, com viagem de cerca de 1h20. A maré dita horários e retorno ocorre no fim da tarde, sobretudo em dia claro.

O clima é tropical úmido, com média anual em torno de 26,5°C. A estação chuvosa vai de janeiro a junho; a seca, de julho a dezembro. O Marechal Cunha Machado, em São Luís, serve como aeroporto mais próximo para quem chega de outras cidades.

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