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Entorno de MC Ryan envolve firmas suspeitas de fraudes em apostas, afirma PF

PF aponta que o entorno de MC Ryan mantém simbiose com empresas suspeitas de fraudes em apostas, ligadas à lavagem de dinheiro de ao menos R$ 1,6 bilhão

Os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, presos na Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal
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  • MC Ryan SP, conhecido como MC Ryan, foi preso na Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal há uma semana, que mira lavagem de dinheiro estimada em R$ 1,6 bilhão.
  • Alexandre Paula de Sousa Santos, amigo de infância do artista, conhecido como Belga ou Xandex, recebeu R$ 2,9 milhões da empresa YCFShop Tecnologia em Ecommerce em dois meses. A YCFShop é acusada de golpes em usuários de jogos virtuais e já teve contas encerradas pelo Celcoin e Nubank.
  • Belga repassou, ao longo de seis meses em 2024, R$ 2,6 milhões ao MC Ryan; a PF aponta que ele tem outras fontes relacionadas a jogos ilegais e retenção de valores de apostas.
  • YCFShop aparece associada à Golden Cat Processamento de Pagamentos Ltda. em processo que, em setembro de 2024, bloqueou plataformas ilegais de jogos de azar, com o Jogo do Tigrinho entre as principais atrações. A PF diz que as duas empresas integram o mesmo grupo de intermediadoras de pagamentos usado pela máfia das apostas.
  • A PF aponta simbiose entre Golden Cat e MC Ryan SP para estruturar pagamentos a influenciadores que atraem vítimas e drenam recursos do esquema; há suspeitas de ligações com o Primeiro Comando da Capital e financiamentos de início de carreira do artista com recursos do crime.

O artista MC Ryan SP, cujo nome é Ryan Santana dos Santos, está ligado, por meio de um assessor próximo, a empresas suspeitas de golpes e apostas ilegais. A ligação ocorre no contexto da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal há uma semana para desbaratar um esquema de lavagem de dinheiro que a PF estima ter movimentado 1,6 bilhão de reais.

Segundo a investigação, o assessor de MC Ryan, conhecido como Belga ou Xandex, recebeu 2,9 milhões de reais em dois meses da empresa YCFShop Tecnologia em Ecommerce. A YCFShop é apontada pela PF como responsável por aplicar golpes em usuários de jogos virtuais e sumir com os recursos retidos nas plataformas.

A PF identificou ainda que Belga repassou 2,6 milhões de reais a MC Ryan SP Produção Artística ao longo de seis meses em 2024. O entrelaçamento entre o assessor, a empresa do artista e outras beneficiárias compõe parte do fluxo investigado, segundo o relatório policial.

Elementos da rede de pagamentos

A YCFShop atua ao lado da Golden Cat Processamento de Pagamentos Ltda. em um processo judicial de 2024 que bloqueou plataformas ilegais de jogos de azar, incluindo o Jogo do Tigrinho. A PF aponta que as duas empresas integram o mesmo grupo de intermediadoras de pagamentos usado pela suposta máfia das apostas.

A defesa de Sun Chunyang, sócio da Golden Cat, negou envolvimento ilícito, afirmando que não houve ato operacional ou benefício econômico para ele. Os advogados destacaram que a empresa atua apenas como intermediadora comercial. A Golden Cat, aberta por sócios chineses em 2023, é considerada pela PF como o reflexo do topo da pirâmide financeira identificada no caso.

Segundo a PF, a Golden Cat teria movimentado mais de 1 bilhão de reais, representando cerca de 75% do montante rastreado no esquema, com operações superiores a bilhões de reais em plataformas de apostas e estelionato digital. A polícia descreve uma relação entre a empresa e MC Ryan SP desde o segundo trimestre de 2024.

Conexões com o crime organizado

O documento da PF sustenta que a Golden Cat recebia bilhões de reais de plataformas de apostas ilegais e repassava parte aos intermediadores para pagar comissões a influenciadores, fortalecendo a rede ligada aos ganhos de MC Ryan. Entre as empresas destinatárias, parte do dinheiro era utilizado para cobrir operações ligadas ao fluxo do artista.

A PF também aponta possíveis conexões entre MC Ryan SP e a facção criminosa PCC, associadas às investigações sobre produtoras de funk que lavavam recursos da organização. Há indícios de que parte dos pagamentos tenha passado por entidades ligadas ao entorno do artista.

A investigação aponta ainda que um padrasto de MC Ryan manteria ligações com a cúpula da facção, com suspeitas de financiamento inicial da carreira por recursos ilícitos. O caso continua em andamento, com atuação da Justiça para esclarecer as responsabilidades individuais e as dinâmicas da rede.

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