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Delegada casada com homem que matou gari em MG terá conduta investigada

Polícia Civil de Minas Gerais instaurou PAD para apurar conduta da delegada afastada; arma usada no homicídio pertencia a ela e sigilo acompanha o processo

Ana Paula Lamego Balbino Nogueira
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  • A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um Processo Administrativo Disciplinar para investigar a conduta da delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, casada com Renê da Silva Nogueira Júnior, suspeito de matar um gari em agosto de 2025, e o procedimento tramita em sigilo.
  • A arma utilizada no crime era de Ana Paula, segundo as investigações, que apontam que Renê saiu de casa com o armamento da esposa.
  • A delegada está afastada do cargo na polícia, após licença médica prorrogada em mais 60 dias, em abril.
  • Renê foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e fraude processual; Ana Paula foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo, já que a arma pertencia a ela.
  • A Justiça autorizou a quebra de sigilo de dados do empresário, e a polícia confirmou que a arma usada no crime pertence à delegada.

A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta da delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, casada com o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar um gari em agosto de 2025. A apuração tramita em sigilo, com o objetivo de assegurar contraditório e ampla defesa. A delegada está afastada do cargo após licença médica prorrogada por 60 dias.

A arma usada no crime era de propriedade de Ana Paula. Segundo investigações, Renê saiu de casa com o armamento da esposa e se envolveu em uma discussão de trânsito relacionada à coleta de lixo na região, que provocou a retenção de veículos. O Ministério Público aponta que o acusado portava a pistola ilegalmente dentro do veículo.

O inquérito aponta ainda que Renê tentou induzir a perícia a erro, orientando Ana Paula a entregar apenas uma das armas registradas em seu nome, ocultando a arma utilizada no homicídio. Em depoimento, a delegada afirmou não ter autorizado que o marido portasse ou usasse suas armas.

Renê da Silva Nogueira Júnior foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma, ameaça e fraude processual. A delegada Ana Paula foi afastada dois dias após o crime e indiciada pela prática de porte ilegal de arma, já que a arma usada pertencia a ela.

Cronologia do caso

Na manhã de 11 de agosto, Laudemir de Souza Fernandes foi morto a tiros por Renê, enquanto trabalhava na coleta de resíduos em um bairro de Minas Gerais. Horas depois, o empresário foi localizado em uma academia do mesmo bairro. No dia seguinte, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o uso da arma da delegada no crime.

Dia 13 houve audiência de custódia e a prisão preventiva de Renê, que já possuía histórico de violência. Imagens do momento do crime foram divulgadas. Em 14 de agosto houve a divulgação do interrogatório do empresário; a defesa pediu restrições sobre registros no sistema carcerário.

No dia 15, a Justiça autorizou a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos do empresário; a polícia confirmou que a arma pertencia à delegada. Em 18 de agosto a defesa do empresário deixou o caso e Renê passou a admitir que cometeu o crime. Em 19 de agosto houve denúncia do MP pedindo júri popular.

Em 21 de agosto a Justiça negou bloqueio de bens. Em 26 de agosto, Renê escreveu que o crime teria sido um acidente; houve a terceira troca de defesas. Em 27 de agosto, Ana Paula foi afastada por motivos de saúde. Em 28 de janeiro de 2026, a Justiça determinou que Renê vá a júri popular.

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