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O mundo cansou das bienais de arte? Festival português recorre ao anarquismo

Anozero, em Coimbra, propõe anarchismo cooperativo para conter a transformação do Convento de Santa Clara-a-Nova em hotel, ligando arte a mobilização local

Singing from a different hymn sheet … choral procession for peace in downtown Coimbra, conceived by Vasco Araújo, April 2026.
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  • A nona edição da Anozero, bienal de Coimbra, ocorre no Convento de Santa Clara-a-Nova e incorpora o tema do anarchismo como forma de intervenção artística e questionamento urbano.
  • A prefeitura autorizou que o prédio seja desenvolvido como hotel por uma empresa privada, o que pode encerrar o uso atual da instalação pela bienal.
  • A abertura contou com uma marcha de 260 cantores locais vestidos de branco, conduzida por Vasco Araújo, para conduzir o público ao espaço museal; a apresentação incluiu trechos da ópera Nabucco.
  • A exposição mescla obras que dialogam com o tema da anarchia, mantendo foco na relação entre arte, espaços históricos e comunidades locais, incluindo as repúblicas estudantis de Coimbra.
  • A Anozero planeja parceria com a Manifesta para a edição de 2028, buscando ampliar a participação e aprender com as experiências locais para evitar o esvaziamento do espaço.

Coimbra sedia uma edição controversa da Anozero, Bienal de arte que ocupa o Convento de Santa Clara-a-Nova. A mostra, que acontece até 5 de julho, mistura instalação artística com questionamentos sobre gentrificação e o futuro do espaço. O tom é reflexivo: a programação questiona a transformação do patrimônio em hotelaria privada.

A organização da Anozero, dirigida por Carlos Antunes, afirma que a proposta busca diálogo entre arte, cidade e comunidade. Este ano, o tema é o anarchismo, entendido como cooperação, inspirado em Kropotkin. A curadoria quer transformar o convento em plataforma de pesquisa e convivência, mantendo o espaço acessível ao público.

O que está em cena no local inclui instalações sonoras, obras site-specific e intervenções que aproveitam a arquitetura de Santa Clara-a-Nova. Entre elas, destaca-se a peça Start Again the Lament, de Taryn Simon, apresentada em várias cidades, ganhando nova contundência no ambiente conventual.

O festival colocou a questão da futura ocupação do prédio no centro de debates locais. O governo autorizou a concessão do espaço a uma empresa privada para transformar o complexo em hotel. A programação de Anozero funciona como alerta público sobre esse processo de desenvolvimento.

Na abertura, uma marcha de 260 cantores de corais locais levou o público do centro de Coimbra até o convento, entoando uma ária de Verdi como símbolo de mobilização. A ação integrou a experiência e reforçou o vínculo entre comunidade e espaço artístico.

Além das obras, o projeto envolve jovens moradores das repúblicas estudantis de Coimbra, que atuam nos bastidores da bienal. O movimento estudantil e as repúblicas são parte histórica da cidade e dialogam com a temática de autonomia e cuidado coletivo.

Para 2028, a Anozero planeja parceria com Manifesta, a bienal nômade europeia. A iniciativa busca fortalecer vínculos com a comunidade local e ampliar a eficácia de suas propostas, evitando que o festival se torne apenas vitrine turística. A mostra permanece em Coimbra até julho, ocupando múltiplos espaços e tentando manter o patrimônio vivo.

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