- O IBGE planeja coletar dados do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua entre 3 e 7 de julho de 2028, em todos os municípios.
- Os primeiros resultados devem ser divulgados em dezembro de 2028.
- A definição de população sem domicílio fixo inclui quem vive em abrigos, dorme em veículos ou outras situações sem um domicílio estável.
- Testes de metodologia já ocorrem, com primeiro teste nacional em agosto, e o censo completo está previsto para daqui a dois anos.
- O orçamento é apontado como principal entrave; há cooperação com prefeituras e o Ipea, e movimentos sociais apoiam a participação de pessoas em situação de rua na linha de frente.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prevê, em 2028, a coleta e divulgação do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua. O objetivo é contar o número de brasileiros nessa condição e mapear dados demográficos e socioeconômicos do grupo. A iniciativa foi anunciada nesta semana.
Os trabalhos começaram com etapas de metodologia em parceria com prefeituras e órgãos públicos. A coleta em todos os municípios está prevista para ocorrer de 3 a 7 de julho de 2028, e os primeiros resultados devem sair em dezembro do mesmo ano. O censo não substitui o Censo Demográfico tradicional, mas amplia o foco para pessoas sem domicílio estável.
A direção do IBGE destacou que o conceito abrange quem vive nas ruas, em abrigos, dormindo em veículos ou em outras situações sem endereço fixo. Um primeiro teste nacional com especialistas e movimentos sociais está previsto para agosto deste ano, com o levantamento completo programado para daqui a dois anos.
Metodologia e referência regional
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, explicou que o projeto se baseia em experiências nacionais e internacionais. O primeiro teste já ocorreu em Niterói, na região metropolitana do Rio, e outras etapas ocorrerão em diferentes estados nos próximos dois anos. A construção metodológica utiliza tecnologia e capacitação do quadro técnico.
A equipe do IBGE trabalha para superar desafios técnicos com apoio de redes, dados existentes e cooperação com governos locais. O principal entrave, segundo Pochmann, é a garantia de orçamento suficiente para viabilizar a pesquisa. Ele frisa que os recursos são decisivos para a execução nacional.
Orçamento, recursos e contrapesos
Pochmann não divulgou o montante orçamentário necessário para o Censo, e o IBGE ainda trabalha para concluir a divulgação do Censo Demográfico de 2022. Os atrasos tiveram relação com restrições orçamentárias e impactos da pandemia. O instituto reiterou a necessidade de recursos para projetos como o Censo Agropecuário e pesquisas sobre brasileiros no exterior.
Movimentos sociais apoiam a iniciativa. Flávio Lino dos Santos, do MNPR, ressaltou que o censo pode abrir oportunidades de participação de pessoas em situação de rua na linha de frente da pesquisa, fortalecendo a cidadania e a aplicação adequada em território.
Lançamentos regionais e próximos passos
Ao longo da semana, o IBGE fará três lançamentos regionais. O primeiro ocorreu em Belém (PA) na segunda-feira. O segundo, no Rio de Janeiro, foi nesta terça. O terceiro está agendado para a cidade de São Paulo na quarta-feira. As atividades visam ampliar o diálogo com setores locais e ampliar a participação de diferentes regiões.
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