- Família tradicional de São Paulo denunciou Marcos Fontana, que se apresentava como monsenhor católico, por golpe relacionado a doações e a um suposto orfanato.
- Ele frequenteava a casa há mais de uma década, distribuía bênçãos e participava de ritos, inclusive em celebrações de aniversário, até ser descoberto.
- A investigação começou após a morte da mãe de Elisa Stecca, quando surgiram dúvidas sobre as doações feitas e a existência do abrigo infantil.
- Fontana já tinha histórico de estelionato, condenado em primeira instância em 2009 por cobrar para rezar em cemitérios; a pena foi substituída por serviços à comunidade em 2013.
- A Arquidiocese de São Paulo afirma que ele não é padre da igreja católica romana nem tem autorização; a Vétero Católica também nega qualquer vínculo com ele, e o caso é apurado pelo 36º Distrito Policial.
O caso envolve um homem que se apresentava como monsenhor e enganou fiéis em São Paulo ao longo de mais de uma década. O golpe ficou conhecido após uma família tradicional denunciar Marcos Fontana, apontado como falso sacerdote, por meio de relatos de doações e participação em ritos.
Segundo a denúncia, ele frequentava a casa da família Stecca, distribuía bênçãos e participava de celebrações em família. A suspeita surgiu quando a artista plástica Elisa Stecca percebeu irregularidades após realizar uma doação a um orfanato que seria administrado pelo homem.
A descoberta ocorreu após a morte da mãe de Elisa, quando a família passou a investigar a validade do abrigo alegadamente mantido pelo monsenhor. Exigências de CNPJ e de endereço da instituição não foram atendidas pelo suposto padrinho, que alegou ter deixado a diretoria por motivos de saúde e atuado em Minas Gerais.
Autoridades e versão da Igreja
A Arquidiocese de São Paulo informou que o homem não pertence à Igreja Católica Romana nem foi ordenado sacerdote, e que não possui vínculo com a instituição. A Vétero Católica, movimento independente da igreja, também não reconhece o sujeito como sacerdote.
A denúncia formal foi registrada pela viúva Benedita de Almeida Bego junto à polícia, à Arquidiocese e ao Ministério Público. O caso tramita no 36º Distrito Policial, com colheita de testemunhos ainda em andamento.
Histórico disciplinar e desdobramentos
Registros apontam que Marcos Fontana já tinha histórico de conduta duvidosa. Em 2009, ele foi condenado por estelionato após realizar missas fúnebres sem pertencer a ordens reconhecidas, prática que gerou investigações na época.
Fontana também afirmava pertencer a uma igreja independente e participou de celebrações no cemitério e em encontros familiares. Atualmente, ele nega a condição de sacerdote e afirma ter orientações legais para falar apenas em juízo.
As vítimas consideram que o caso expõe uma exploração de fé e pedem que novos golpes sejam coibidos. Os relatos apontam que o suposto monsenhor recebia doações para um abrigo inexistente e promovia eventos que não tinham fundamentação institucional.
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