- Nahuel Jeremias Maldonado, argentino de 29 anos, foi preso durante o jogo entre Cruzeiro e Boca Juniors no Mineirão e deve passar por audiência de custódia nesta quinta-feira (30).
- Em depoimento à Polícia Civil, ele disse que os gestos foram mal interpretados, afirmou morar no Brasil há cerca de dois anos e alegou que não reproduz gestos racistas; disse que o movimento na orelha significava “não estou ouvindo” e que o gesto no braço é usado na Argentina como provocação, não como ataque racial.
- O segurança ouvido como testemunha informou que o incidente foi registrado por vídeo e que Nahuel já havia sido contido; afirmou não ter presenciado os gestos ao vivo e que só recebeu imagens para analisar.
- A delegada Daniela Gomes Moreira manteve a prisão, argumentando haver materialidade e indícios de autoria; afirmou que os gestos, acompanhados de risos e provocações, configurariam discriminação racial no contexto brasileiro, mesmo sem fala direta.
- As investigações seguem pelo Ministério Público e pela Polícia Civil; na audiência de custódia, a Justiça poderá manter a prisão, conceder liberdade provisória ou impor medidas cautelares.
O argentino Nahuel Jeremias Maldonado, de 29 anos, fica detido após o jogo entre Cruzeiro e Boca Juniors no Mineirão, em Belo Horizonte. Ele foi preso em flagrante por suspeita de discriminação racial, após gestos com as mãos perto da orelha e um movimento de alisar o braço serem interpretados pela autoridade policial como ataque à população negra.
Nahuel afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que mora no Brasil há cerca de dois anos e conhece as leis locais. Negou ter praticado racismo e disse que os gestos foram mal interpretados, justificando que o objetivo era provocar a torcida adversária, não uma pessoa específica. Disse ainda que pediu desculpas após ser abordado.
O segurança ouvido pela Polícia informou que não presenciou os gestos ao vivo, mas que recebeu imagens de um profissional da imprensa que apontavam provocações contra torcedores do Cruzeiro. Segundo o retrato do policial, Nahuel fazia movimentos com as mãos perto da orelha e alisava os braços, o que, na interpretação dele, remetia à pele.
A decisão da delegada e os crimes atribuídos
A delegada Daniela Gomes Moreira manteve a prisão em flagrante com base na materialidade e indícios de autoria. A investigação aponta que os gestos foram gravados em vídeo, acompanhados de risos e provocação contra o público brasileiro, em local público durante um jogo internacional. A explicação de “gesto cultural argentino” não foi comprovada pela autoridade.
A prisão foi ratificada com base no artigo 20 da Lei 7.716/1989, que tipifica discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem nacional, e no parágrafo 2º, que agrava o crime quando veiculado por meio de meios de comunicação ou redes. A delegada ressaltou que gestos podem configurar discriminação mesmo sem fala explícita.
O que acontece a seguir
O caso avança para a audiência de custódia, marcada para esta quinta-feira, para avaliação da legalidade da prisão e das medidas a serem aplicadas. Em jogo estão a manutenção da prisão, a concessão de liberdade provisória ou a imposição de medidas cautelares. A investigação continua sob responsabilidade da Polícia Civil e do Ministério Público de Minas Gerais.
Entre na conversa da comunidade