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Como Historiador Radical Salvou o Filme de 1976

Coleção Bicentennial Schlock de Yale expõe a mercantilização de 1976 e o debate sobre o espírito radical da época, reunindo itens do cotidiano

A Schmidt’s beer can with the signers of the Declaration of Independence printed on it and the tagline “The Beer for the Bicentennial.”
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  • A Biblioteca Beinecke, em Yale, abriga a chamada Bicentennial Schlock, uma coleção de cerca de cem artefatos de 1976 que mostra o consumismo patriótico da época.
  • Entre os itens estão um copo de papel com a lanterna de Paul Revere, embalagens com retratos presidenciais, embrulho de lanche do Bicentenário, um preservativo com a frase “One Time for Old Glory” e um papercraft do estandarte de Ben Franklin.
  • A coleção começou na década de setenta, quando o historiador Jesse Lemisch usou uma oficina universitária para coletar objetos da época e montou uma exposição em Buffalo, em 1976.
  • Em mil oitocentos e oitenta e um, Lemisch doou a coleção a Yale; hoje é usada em aulas e pesquisas para explorar as visões do passado e a vida cotidiana da época.
  • O projeto surgiu numa contexto de contestação ao veredito comercial da Bicentenário, defendido por Lemisch como forma de democratizar o acervo histórico e ampliar vozes marginalizadas.

A Beinecke Library, em Yale, guarda itens que vão além de livros raros. Em uma tarde, o curador de história americana, Joshua Cochran, abriu caixas de arquivo e revelou peças do que ficou conhecido como Bicentennial Schlock. Entre elas havia um copo de papel com a imagem de uma lanterna de Paul Revere.

As caixas também continham pacotes de açúcar com retratos presidenciais, uma embalagem de hambúrguer de Bicentennial e, preso a um cartão, um preservativo “novelty” com a inscrição One Time for Old Glory. Um pedaço de plástico, ao ser examinado, mostrou-se um “pipa de Ben Franklin” impressa com trechos da Declaração.

Lançado em 1976, o acervo de schlock soma pouco mais de 100 artefatos. Foi organizado pelo historiador Jesse Lemisch e permanece como testamento irônico do consumismo patriótico que marcou o bicentenário da independência.

Contexto histórico

Estima-se que mais de 25 mil itens foram produzidos na época, desde réplicas da espada de Washington até papel higiênico temático. O movimento gerou resistências por parte de críticos que viam comercialização excessiva da data.

Vozes e embates

Ativistascriticaram a mercantilização, associando-a a uma diluição do espírito radical de 1776. Jeremy Rifkin, fundador de uma comissão anti-corporativa, descreveu o fenómeno como uma traição em entrevista ao The New York Times em 1974.

Origem e percurso de Lemisch

Lemisch, formado pela Yale em 1963, integrou uma geração de historiadores sociais que questionavam o papel da elite na narrativa histórica. Em 1967 argumentou que a Revolução teve impactos democráticos, não apenas top-down.

Democratização dos arquivos

Em 1971, Lemisch criticou projetos de edição histórica da época por negligenciarem vozes de Paine, Adams, mulheres e comunidades negras e indígenas. Defendia acesso mais amplo aos documentos para representar a diversidade da época.

Do ateliê ao museu

O acervo nasceu de uma disciplina lecionada por Lemisch na SUNY Buffalo, em 1976, que envolveu estudantes em uma coletânea de objetos de Bicentennial. A exposição ganhou repercussão e levou à doação do material à Yale em 1981.

Legado acadêmico

Cochran aponta que o acervo serve de recurso para entender as ideias de patriotismo difundidas na época. Em exibição recente, o material acompanha itens como a primeira impressão da Declaração e o esboço de um poema de Langston Hughes.

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