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Mostra revisita legado de Paulo Roberto Leal na arte brasileira

Galeria Galatea revisita Paulo Roberto Leal com obras que unem geometria e materiais translúcidos, repondo o artista no circuito da arte concreta brasileira

Paulo Roberto Leal, Cartas, 1981. Assinada e datada, papel e linha de seda, dimensões variáveis
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  • A galeria Galatea, em São Paulo, apresenta uma mostra individual de Paulo Roberto Leal até 9 de maio, revisitando seu legado na tradição construtiva brasileira.
  • Entre as obras está “Armagens”, peça da Bienal de Veneza de 1972, com acrílico leitoso sobre papéis em estrutura modular que alterna opacidade e névoa.
  • O muralista Tomás Toledo afirma que a exposição expõe uma leitura da geometria fora do zeitgeist da década de 1950/60, usando suportes variados e iluminação para modular a percepção.
  • O conjunto é organizado em dois momentos: anos 1970, com geometria mais sistemática e módulos repetidos; e anos 1980, com referências da arquitetura cotidiana, cores e padrões.
  • A mostra também reforça a dificuldade histórica de Leal, cuja produção ficou em segundo plano por não seguir tendências de 1980/1990 e pela morte precoce relacionada ao HIV, buscando reativar seu lugar no campo da arte geométrica brasileira.

À frente da parede branca, a exposição reexamina a produção de Paulo Roberto Leal, apresentando obras da década de 1970 a 1980. Em São Paulo, a galeria Galatea mantém a mostra aberta até 9 de maio, na zona oeste.

A curadoria é conduzida pela parceria entre três diretores da galeria, que buscam resgatar o lugar de Leal no cenário da arte geométrica brasileira. O foco está no desdobramento da tradição construtiva, com ênfase na materialidade e na geometria.

A montagem privilegia suportes variados como papéis, tecidos e acrílicos. Estruturas modulares e luz filtrada criam efeitos de tridimensionalidade, desordenando a ideia de geometria rígida típica dos anos 50 e 60.

A exposição organiza dois momentos de visita: anos 1970, com módulos repetidos e geometria sistemática; e anos 1980, com cores e referências da arquitetura cotidiana. Essa divisão ajuda a entender a trajetória do artista.

Entre as peças, a peça Armagens, apresentada na Bienal de Veneza de 1972, aparece como exemplo da fusão entre opacidade e transparência, integrando o conjunto da mostra.

A vitrine documental reúne fotografias, catálogos e instruções de montagem, evidenciando o interesse de Leal por formatos de circulação que vão além do objeto único.

Contexto histórico

Segundo a galeria, o interesse pelo retorno de Leal parte de uma lacuna nas narrativas sobre arte geométrica brasileira. A obra não acompanhou as tendências dominantes de décadas seguintes, o que contribuiu para o apagamento parcial.

A morte precoce do artista, ocorrida na década de 1990 por complicações associadas ao HIV, também influenciou a falta de continuidade na recepção de sua produção. A mostra busca reativar esse diálogo com o presente.

Ao reunir trabalhos históricos, a exposição propõe uma releitura da produção de Leal. O objetivo é inserir sua pesquisa no debate contemporâneo da arte geométrica no Brasil, ampliando leituras sobre formalismo e experimentação material.

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