- A BBC Africa Eye investigou golpistas em Mityana, Uganda, que usam cães para induzir doações de apoiadores de outros países, explorando emoções e estereótipos sobre a África.
- Um caso central envolve Russet, cão mostrado em vídeos com ferimentos para angariar recursos; milhares de dólares foram arrecadados, mas o animal não se recuperou.
- O esquema envolve abrigos falsos mantidos por vários criadores de conteúdo, com vídeos de animais em condições precárias e táticas para inflar as doações.
- Ativistas lançaram campanhas de denúncia e conscientização, como We Won’t Be Scammed; houve operação policial em 2023 que resgatou 24 cães, sem desfecho penal claro.
- A BBC aponta que, embora haja mudança de comportamento de alguns doadores, o abuso continua e muitos abrigos permanecem sob suspeita de crueldade.
A investigação da BBC Africa Eye revela um esquema de scammers em Uganda que usa cães para induzir doações de amantes de animais ao redor do mundo. O caso envolve vídeos emocionais, supostas emergências veterinárias e shelters usados para capturar recursos online.
Russet, um cão de pelagem marrom-avermelhada, tornou-se o rosto de campanhas que arrecadaram milhares de dólares após surgirem em redes sociais em janeiro do ano passado. O animal foi apresentado como vítima de um acidente, e as doações eram solicitadas por meio de links na internet.
A história liga a cidade de Mityana, a cerca de 70 km de Kampala, a donadores internacionais. Grupos de criadores de conteúdo postam vídeos com cães em situações precárias, com a justificativa de angariar fundos para alimentação, abrigo e tratamento.
O funcionamento do golpe
As investigações apontam que várias instalações em Mityana funcionam como pontos de filmagem para criadores de conteúdo. Diversos cães ficam em espaços apertados, sob condições sujas, para gerar campanhas falsas de resgate.
Os vídeos simulam tratamentos veterinários e aumentam valores de gastos com ração, com o objetivo de maximizar doações via plataformas como GoFundMe ou PayPal. O modelo envolve várias contas associadas ao mesmo abrigo.
Entre as táticas identificadas estão relatos de despejo iminente para justificar novas arrecadações, e a apresentação de tratamentos que não são realizados de fato. A prática busca explorar a empatia de doadores ocidentais.
Repercussões e respostas
A BBC encontrou o shelter operado por um jovem que se apresenta como proprietário. Altos volumes de doações ocorreram mesmo diante de denúncias de maus-tratos. Indícios sugerem que algumas imagens são produzidas com intenção de manipular o público.
Doadores de várias partes do mundo passaram a questionar a veracidade das informações, levando a iniciativas de combate aos golpes. Um movimento online conhecido como We Won’t Be Scammed tornou-se um polo de fiscalização e denúncia.
No Brasil e no Reino Unido, ativistas relatam casos de pessoas que ajudaram sem verificar a origem das campanhas. Um caso citado envolve a recuperação de Russet por meio de uma doadora britânica, que custeou tratamento veterinário em Kampala, após contato com a rede de golpistas.
Impacto sobre os animais e desfecho
O tratamento de Russet incluiu cirurgia para reparar as pernas, mas o cão não sobreviveu aos dias seguintes. Médicos locais sustentam que as lesões apresentadas não são compatíveis com um acidente comum, sugerindo casos de violência intencional.
As investigações destacam que a continuidade do fluxo de doações alimenta a exploração de animais em dúvida. Organizações locais e internacionais defendem maior escrutínio por parte de doadores antes de contribuir.
A coalizão internacional de ativistas continua trabalhando para responsabilizar os envolvidos e criar mecanismos de prevenção. A expectativa é de que ações judiciais privadas possam servir de dissuasão para operações ilegais semelhantes. Fonte: BBC Africa Eye.
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