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Clínicas são investigadas por fraudes em atendimentos a crianças com autismo

Clínicas são investigadas por superfaturar terapias de crianças com autismo, com prejuízo estimado de até R$ 60 milhões e registros de horas não realizadas

Clínicas são suspeitas de fraudar atendimentos a crianças com autismo e cobrar por sessões inexistentes — Foto: Reprodução/TV Globo
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  • A Polícia Civil de São Paulo investiga clínicas que oferecem terapias para crianças com TEA por suspeita de fraude, com prejuízo estimado de R$ 60 milhões às operadoras de planos de saúde.
  • Auditorias apontam superfaturamento e registros de horas de terapia que não ocorreram, com diferenças de até quase cem vezes entre o que é faturado e o que é realizado.
  • Em um caso, uma clínica informou 416 horas mensais de atendimento a um menino de seis anos, enquanto a família afirma que ele frequentava a clínica apenas uma vez por semana, totalizando cerca de 16 horas por mês.
  • Pais relatam pressão para assinarem documentos com várias sessões em um único dia e relatos de uso de logins de planos para registrar presença, além de tentativas de burlar sistemas de reconhecimento facial.
  • Casos aparecem em São Paulo, incluindo a Zona Oeste, e em Mogi das Cruzes; autoridades podem enquadrar as condutas como estelionato, organização criminosa, lavagem de dinheiro e risco à saúde pública.

A Polícia Civil de São Paulo investiga clínicas que oferecem terapias intensivas para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e cobram planos de saúde por atendimentos possivelmente inexistentes. O esquema pode ter causado prejuízo de até R$ 60 milhões às operadoras.

Segundo apurações do Deic, houve superfaturamento, registro de horas de terapia que não ocorreram e falsificação de documentos. Documentos e gravações obtidos pelo Fantástico apontam disparidades entre o faturado e o atendimento real.

Diferenças de até quase 100 vezes foram identificadas em algumas unidades, segundo as investigações. Em uma clínica, 66% dos pacientes teriam mais de 80 horas mensais, contra média nacional inferior a 3 horas.

Um caso aponta que um menino de seis anos teria 416 horas mensais anunciadas, enquanto a família diz que ele recebia apenas 16 horas por mês. Pais relatam pressão para assinaturas indevidas.

Diferenças de ritmo e relatos de famílias

Em uma clínica da Zona Oeste de São Paulo, a defesa nega irregularidades e afirma que terapias são auditáveis. Pais relatam cobrança por sessões que não ocorreram.

Casos semelhantes surgem em Mogi das Cruzes, onde a mãe disse que o filho frequentava a clínica duas vezes por semana, com sessões de 40 minutos. A defesa atribui as acusações a perseguição das operadoras.

Ex-funcionários relataram uso de logins de planos de saúde para registrar presença como se fossem pacientes. Também houve tentativa de burlar sistemas de reconhecimento facial com fotos das crianças dentro da clínica.

Possíveis crimes e impactos

A polícia aponta indícios de estelionato, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a saúde pública. Especialistas destacam que o dano vai além do financeiro, atingindo o tratamento de crianças.

A defesa de uma das unidades afirma que os sócios não compactuaram com práticas ilegais. Em nota, diz que as clínicas seguem controles rigorosos e que os atendimentos são auditáveis.

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