- Médicos criaram o projeto Socorristas da Floresta para ensinar primeiros socorros em comunidades da Amazônia, incluindo territórios indígenas.
- O curso mostra como transportar pacientes em rede, imobilizar membros com recursos da floresta e usar varas de madeira como suporte para soro.
- Desde fevereiro de 2025, cerca de 200 pessoas de comunidades amazônicas já foram capacitadas.
- O treinamento recebe apoio de organizações indígenas, socioambientais e da Força Nacional do Sistema Único de Saúde.
- Os médicos atuam em áreas como terra indígena Zo’é, norte do Pará, e Alto Rio Solimões, no Amazonas, ressaltando a necessidade de ações rápidas em locais sem unidade de saúde.
O projeto Socorristas da Floresta surge para enfrentar a dificuldade de atendimento de urgência em áreas remotas da Amazônia. Médicos Idjarrury Sompré, Guilherme Giordani e Luiz Fernando Rocha registraram encontros frequentes com isolamento geográfico, insumos escassos e longas caminhadas para socorrer pacientes. Desde fevereiro de 2025, já capacitaram cerca de 200 moradores.
A iniciativa atua com treinamento de comunidades locais em técnicas de primeiros socorros alinhadas à realidade regional. O objetivo é ensinar a transportar pacientes em rede, imobilizar membros e improvisar meios de suporte com recursos disponíveis na floresta, incluindo a montagem de macas com madeira do entorno.
O treinamento conta com apoio de organizações indígenas, socioambientais e da Força Nacional do SUS. Os protagonistas atuam em territórios tradicionais no Pará e no Amazonas, conectando ações de saúde com a autonomia das comunidades.
Como funciona o treinamento
Os participantes aprendem a usar recursos da floresta para socorro imediato. Entre as técnicas estão o transporte de pacientes em rede, o uso de varas de madeira como suporte para soro e a imobilização com materiais locais. Macas de resgate também são produzidas com madeira do território.
A ação busca ampliar o tempo de resposta até a chegada de equipes formais. Em regiões sem unidade de saúde, esse conhecimento pode reduzir riscos em casos de afogamentos, acidentes com ferramentas e acidentes com animais peçonhentos.
Para moradores como Rosete Alves, moradora da aldeia Novo Lugar, a capacitação representa mudança prática. Ela relata que a formação permitiu aplicar orientações no cuidado de familiares diante da distância até o hospital mais próximo.
Observa-se que, antes do projeto, não havia treinamento de primeiros socorros na aldeia. Hoje, a comunidade utiliza os aprendizados para agir em urgências enquanto o resgate não chega.
A Secretaria de Saúde do Pará afirmou que mantém ações para fortalecer a rede assistencial em regiões remotas. A iniciativa, segundo especialistas, não substitui o atendimento médico, mas orienta técnicas básicas até a remoção chegar.
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