- A BBC divulgou imagens de especialistas não regulamentados que teriam sugerido posições perigosas para dormir bebês, incluindo dormir de bruços.
- Um dos profissionais recomendou cobrir o berço com toalhas e outros itens soltos, prática considerada arriscada por organizações de segurança infantil.
- As conselheiras identificadas são Alison Scott-Wright e Lisa Clegg, que possuem grande alcance nas redes sociais e vendem consultorias pagas sobre sono infantil.
- Profissionais de saúde analisaram as filmagens e disseram que as orientações apresentadas não são compatíveis com as evidências médicas e podem colocar bebês em risco.
- Observa-se um movimento crescente de consultores de sono infantil sem regulamentação, levando autoridades a defender maior fiscalização e treinamento obrigatório para quem trabalha com bebês.
Um jornalista da BBC revela, por meio de filmagens secretas, que há conselheiros de sono infantil não regulamentados que instruem pais a práticas de alto risco para bebês. As imagens mostram recomendações que vão contra orientações médicas e de segurança infantil.
Entre os identificados estão Alison Scott-Wright, conhecida como Magic Sleep Fairy, e Lisa Clegg, a Blissful Baby Expert. Ambos atuam como consultores de sono para famílias, com grande alcance nas redes sociais, sem qualificação regulada. A reportagem descreve casos de aconselhamentos que contrariavam diretrizes nacionais.
A investigação ocorreu por meio de consultas online disfarçadas, em cenários com recém-nascidos. A BBC afirma que a prática de dormir o bebê de bruços aumenta consideravelmente o risco de morte súbita (Sids). A NHS orienta sempre dormir de costas no berço, com colchão firme e plano.
Segundo especialistas médicos ouvidos pela BBC, as condutas apresentadas nas filmagens são perigosas. Médicos destacam que o sono de bruços é um fator de risco comprovado nos primeiros meses de vida. A Lullaby Trust também rejeita o uso de tapetes ou itens soltos no berço como auxiliares.
No caso de Scott-Wright, a entrevistada admitiu ter atuado como parte de uma rede de suporte, afirmando que a prática de dormir o bebê de bruços não é recomendada. A entrevistada reconhece que não possui licença médica para emitir diagnósticos, enfatizando que trabalha para complementar a orientação profissional.
A outra consultora, Clegg, pediu cerca de 200 libras por serviços iniciais e trechos de acompanhamento. Ela sugeriu o uso de panos, toalhas e itens soltos no berço, prática que os especialistas veem como risco de asfixia e superaquecimento. Fotos enviadas por pais mostraram berços com itens soltos ao redor dos bebês.
Ao longo da reportagem, médicos revisaram as imagens e identificaram afirmações incorretas sobre condições clínicas. O material também aborda casos de famílias que relaxaram o cumprimento de orientações do NHS após consultar as participantes.
A BBC lembra que o Brasil não é o Reino Unido, mas ressalta a importância de regulamentação clara para profissionais que trabalham com sono infantil. O governo britânico sinalizou planos para restringir o uso indevido do título de enfermeiro ou profissional de maternidade sem qualificação adequada.
O caso mais amplo envolve uma demanda por treinamento obrigatório e maior supervisão de quem presta serviços pagos de cuidado com bebês. Familiares citam que a falta de suporte pós-natal favorece a busca por orientação não regulamentada.
A reportagem também menciona relatos de pais preocupados com a segurança de seus filhos. Ao final, a BBC aponta que medidas regulatórias têm sido discutidas, sem indicar conclusão sobre o andamento das propostas.
No desfecho, Emily, mãe de primeira viagem, relata que o bebê hoje tem nove meses e está saudável. A experiência evidencia a necessidade de orientação médica formal para evitar condutas arriscadas.
Fontes: reportagens e entrevistas realizadas pela BBC, com consultoria de especialistas em saúde infantil.
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