- A instalação do Pavilhão da Arábia Saudita na Bienal de Veneza usa cerca de 29.300 tijolos de barro para reproduzir mosaicos no piso, com passagens entre eles.
- Dana Awartani, de Jeddah e Nova York, enfatiza a colaboração de artesãos: todos os trabalhadores envolvidos são creditados, reforçando o papel do ofício na prática da artista.
- Os motivos vêm de mosaicos de mais de vinte sítios culturais árabes destruídos em conflitos, incluindo locais de diversas religiões, para evidenciar a violência cultural e a importância da proteção patrimonial.
- A produção aconteceu em Riade por questões climáticas, com cerca de quinze a vinte artesãos; foram três meses de trabalho, e a instalação em Veneza levou duas semanas, com jornadas de seis horas diárias até altas horas.
- O layout coloca o visitante entre as mosaicas, buscando uma experiência imersiva e contemplativa, não apenas uma observação externa.
A Comissão Nacional da Arábia Saudita escolheu Dana Awartani para representar o país na Bienal de Veneza, com uma instalação que reúne quase 30 mil tijolos de barro. O piso reproduz mosaicos tradicionais, ocupando o salão principal do pavilhão. A obra é creditada à artista, mas envolve uma equipe de artesãos que atuaram ao lado dela.
Awartani enfatiza a participação de artesãos locais, muitos migrantes econômicos que chegaram à Arábia Saudita. O processo de produção, lento e cuidadoso, envolveu documentação de mais de 20 sítios culturais destruídos por conflitos. A curadoria ressaltou o papel das equipes que trabalharam nos moldes e na terracota.
O título da exposição é May your tears never dry, you who weep over stones, e os motivos trazem mosaicos de sítios árabes destruídos, incluindo obras religiosas e civis. O projeto ressalta a memória cultural diante de guerras e atos de violência contra patrimônios.
Materiais, produção e logística
A instalação usa tijolos de barro em técnica de adobe, com dezenas de artesãos mobilizados para moldar e colorir as peças no deserto. A produção começou em Riyad, devido ao clima seco, e durou cerca de três meses. O que se vê hoje é o resultado de uma montagem de complexa coordenação.
Foram criados moldes de madeira com a ajuda de um artesão de uma vila indígena da Índia e, no local, cada peça recebeu um código para controle de montagem. A equipe contou com duas semanas intensas de instalação, com turnos que iam das 8h às 23h.
Desafios e impactos
Entre os desafios, estão as limitações do material: há limitações para reproduzir graduações de cor originais dos mosaicos, exigindo readequações artísticas. A logística de envio também foi afetada por tensões na região, impondo rotas aéreas mais complexas.
O público é convidado a caminhar entre as peças, em vez de observar de cima, criando uma experiência de imersão que sugere um sítio arqueológico. A intenção é provocar reflexão sobre a conservação do patrimônio cultural árabe e mediterrâneo.
Contexto e desdobramentos
A obra dialoga com destruições recentes de sítios culturais na região, fortalecendo o debate sobre preservação frente a conflitos. A curadoria observa que a instalação destaca a riqueza cultural da região, assim como a importância de protegê-la para as futuras gerações.
A obra é apresentada como uma visão contemporânea do mosaico, conectando a tradição artesanal com questões geopolíticas atuais. O pavilhão permanece em evidência na programação da Bienal, atraindo visitantes que buscam entender o papel da memória na produção artística.
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