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Pesquisa aponta que 42% das mulheres evangélicas já sofreram violência doméstica

Relatório aponta que 42,7% das mulheres evangélicas já sofreram violência doméstica; 6% buscam apoio na igreja, mas são desencorajadas a denunciar

Imagem ilustrativa. (Foto: Unsplash/Sasun Bughdaryan).
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  • O estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Datafolha aponta que 42,7% das mulheres evangélicas sofreram violência doméstica ao longo da vida.
  • A pesquisa mostra que 6% das vítimas procuram ajuda na igreja, mas costumam ser desencorajadas a denunciar o agressor.
  • O levantamento, publicado na Le Monde Diplomatique Brasil, indica aumento do registro de violência contra mulheres desde o início da série, em 2016.
  • Entre as vítimas, a maioria é separada ou divorciada, tem filhos e está entre 25 e 34 anos; também há maior registro entre pretas com ensino fundamental.
  • Pesquisadores ressaltam que a proximidade entre pastores e fiéis pode ser usada como ferramenta de combate, enquanto discursos políticos que normalizam violência podem agravar o problema.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com o Datafolha, publicou o estudo Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil. A pesquisa analisou dados de 2025 e aponta que a violência contra mulheres atingiu o maior índice desde o início da série, em 2016. O levantamento é apresentado na revista Le Monde Diplomatique Brasil.

Segundo o levantamento, 42,7% das mulheres evangélicas já sofreram violência doméstica ao longo da vida, enquanto 35% entre as católicas habituam esse tipo de violência. Além disso, 6% das vítimas procuram ajuda nas igrejas, embora haja relatos de desencorajamento à denúncia por parte de líderes religiosos.

A amostra aponta que a maioria das vítimas são separadas ou divorciadas, costumam ter filhos e estão na faixa de 25 a 34 anos. Entre os dados demográficos, há predominância de mulheres pretas com ensino fundamental que vivem em capitais ou regiões metropolitanas.

Por que a denúncia é desestimulada

Pesquisadores destacam a influência de líderes religiosos na decisão das vítimas de denunciar. A percepção de sacralidade do matrimônio pode levar a orientações de resignação e oração, o que dificulta a ruptura com o agressor. A abordagem é identificada como um entrave à quebra do ciclo de violência.

A proximidade entre pastores e fiéis nas igrejas evangélicas é citada como potencial ferramenta de combate à violência. Em contraste com a estrutura da igreja católica, a relação mais direta pode favorecer acolhimento, orientação e encaminhamentos, inclusive com suporte jurídico, quando disponível.

Os especialistas observam que o ambiente político também impacta o tema. Discursos violentos ou discriminatórios de autoridades podem legitimar agressões e reduzir a efetividade de políticas de enfrentamento à violência de gênero. A lente da pesquisa aponta ainda para efeitos de ambiente político, com avanços normativos sendo contestados em parte da sociedade.

Igreja como agente no combate à violência

A estudo considera a atuação religiosa como campo de intervenção, desde redes de acolhimento até serviços de apoio mútuo. A partir da prática pastoral, há espaço para iniciativas de apoio psicológico e orientação jurídica, ampliando o alcance de proteção às mulheres em situação de violência.

Em redes sociais, a repercussão de discursos durante eventos religiosos levou especialistas a discutir mudanças de postura. Observa-se que a igreja pode desenvolver secretarias de acolhimento, com equipes formadas por membros para oferecer amparo adequado às vítimas, sem promover a estigmatização.

A pesquisa também relaciona casos recentes com o debate público. Em 2026, uma liderança evangélica discutiu o papel da igreja diante de denúncias, ressaltando a necessidade de evitar escândalos e oferecer apoio efetivo às mulheres que passam por violência doméstica.

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