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Restauração de dois anos envolve pintura de Filippo Lippi na Capela Medici

Restauração de dois anos de The Adoration in the Forest, de Filippo Lippi, na Gemäldegalerie de Berlim, financiada por fundações, com orçamento entre €100.000 e €500.000

Filippo Lippi's painting The Adoration in the Forest (1459) in Room 39 of the Gemäldegalerie Berlin in 2019
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  • A obra The Adoration in the Forest, de Filippo Lippi (1459), será restaurada por dois anos na Gemäldegalerie, em Berlim.
  • O restauro é financiado pela Ernst von Siemens Kunststiftung e pela Schoof’schen Stiftung, com orçamento entre €100 mil e €500 mil.
  • A camada de verniz degradou a pintura em tempera, com áreas da tinta chegando a se soltar do painel, incluindo o manto azul da Virgem e partes da pele.
  • O objetivo é remover o verniz de forma controlada, estabilizar a tinta e devolver maior brilho à obra.
  • A restauradora Anja Wolf destaca que é um projeto inédito naquele formato e que pode influenciar futuras exposições sobre a escola florentina.

O Staatliche Museen zu Berlin informou que a pintura The Adoration in the Forest, de Filippo Lippi, datada de 1459, passará por uma restauração de dois anos. O trabalho é financiado pela Ernst von Siemens Kunststiftung e pela Schoof’schen Stiftung. O orçamento não foi confirmado, mas a instituição informou que fica entre 100 mil e 500 mil euros.

A obra está atualmente na Gemäldegalerie, no complexo Kulturforum de Berlim. A tela tempera sobre painel mostra a Virgem com o Menino Jesus em meio a uma floresta montanhosa, diferente do presépio tradicional, e foi criada para ser o ponto central da capela privada do Palazzo Medici na Florença renascentista.

O processo de restauro foi desencadeado depois que um estudo recente com um microscópio estereofônico revelou que a camada de verniz, possivelmente aplicada no século 19, estava degradando a pintura tempera e, em alguns pontos, levando o pigmento para o alto do painel. O objetivo é remover o verniz com segurança e estabilizar a camada de tinta.

Detalhes do restauro

Conservadora-chefe da Gemäldegalerie, Anja Wolf, descreveu o desafio: é necessário eliminar o verniz sem comprometer a tinta, além de consolidar a camada de pintura com precisão. O projeto é considerado inédito para ela, que atua há anos em obras do século XIV e XV.

Trechos da obra afetados incluem o manto azul da Virgem, partes da pele e áreas do folha de ouro aplicadas para iluminar a capela Medici, que abriga ainda um afresco de Benozzo Gozzoli. A recuperação pode, ao final, oferecer maior contraste de luz e sombra, realçando detalhes como flores no solo do bosque.

A intervenção não apenas visa preservar a peça, mas também recuperar parte de sua aparência original, com o objetivo de manter o papel histórico da obra na coleção permanente da Gemäldegalerie. A equipe avalia ainda como o tratamento pode ampliar o entendimento sobre a transição de Lippi entre a pintura tempera e as técnicas de óleo.

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