- O Estadão Verifica identificou sessenta e cinco grupos na internet (Telegram, WhatsApp, Facebook e X) com mais de oitenta e dois mil usuários, onde há comércio de medicamentos, laudos e atestados médicos falsos.
- Entre os itens vendidos estão canetas para emagrecimento e psicotrópicos, além de receitas, laudos e atestados falsos, com emissão simulada de registros nos Conselhos de Medicina.
- As plataformas afirmam remover conteúdos ilegais quando são identificados; autoridades já haviam recebido ordem da AGU para extinguir canais de venda ilícita em setembro de 2025.
- O levantamento ocorreu entre dezembro de 2025 e março de 2026, e mostra grupos que promovem compras diretas, pagamento via Pix e envio dos documentos por mensagens privadas.
- A Anvisa anunciou novas medidas de controle para canetas GLP-1 em abril de 2026, e a Polícia Federal com apoio da Anvisa deflagrou a operação Heavy Pen contra importação, produção e venda de canetas antiobesidade falsificadas.
Uma investigação do Estadão Verifica identificou 30 comunidades no Telegram onde ocorre o comércio clandestino de medicamentos, receitas e atestados falsos. Além disso, redes no WhatsApp, Facebook e X também participam do esquema, somando 65 grupos com mais de 82 mil usuários ativos.
Os conteúdos são promovidos com foco em remédios de alta demanda, incluindo Ozempic, Mounjaro, Ritalina e Venvanse. Em alguns canais, administradores vendem receituários e laudos médicos falsos com assinaturas de profissionais existentes.
O levantamento ocorreu entre dezembro de 2025 e março de 2026, com uso da ferramenta TelegramScrap, da FGV. As plataformas afirmam que removem conteúdos irregulares sempre que identificados.
Funcionamento e documentos falsos
Grupos comercializam laudos, receitas e atestados, além de medicamentos controlados. Dados de 11 médicos com registro no CFM foram encontrados nos arquivos monitorados pelo *Verifica*. Alguns contatos prometem documentos “reais” com números de CRM.
Receitas costumam ser divididas em brancas, azuis e amarelas, conforme o controle de substâncias. Um grupo com mais de 4 mil participantes vende receituários falsos por cerca de R$ 97, prometendo validade “vitalícia”.
Clientes entram em contato com os donos dos canais para solicitar os documentos, pagando via Pix. Instruções detalhadas orientam sobre uso dos carimbos e assinatura falsa, com relatos de aceitação em farmácias.
Panorama regulatório e atuação policial
Perfis falsos dificultam a identificação dos autores, que costumam usar nomes e fotos enganosas. Em redes sociais, há anúncios de venda de canetas para emagrecimento sem registro sanitário.
A Anvisa informou ter implementado o Sistema Nacional de Controle de Receituários para validação de receitas. A fiscalização de atestados compete a conselhos de medicina e autoridades policiais. A AGU já removeu grupos dedicados à prática.
A Polícia Federal, com apoio da Anvisa, realizou a Operação Heavy Pen, com 45 mandados de busca e apreensão em 12 estados, para combater a entrada, produção e comércio de canetas de obesidade não autorizadas.
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