- A Ancine publicou uma instrução normativa para fechar brechas da Cota de Tela, restabelecida em 2024, obrigando cinemas a reservar parte da programação para filmes brasileiros.
- A instituição aponta que apenas cumprir a obrigação formal não basta para atrair público; o share de filmes nacionais não é igual ao das sessões, indicando desequilíbrio de horários e de tempo de exibição.
- A reportagem mostra que a Cinemark escalonou milhares de sessões de Zuzubalândia: o filme teve 17.237 exibições em 2024, mas apenas 1.882 espectadores, média de 0,1 por sessão.
- A Instrução Normativa nº 175, válida para 2026, passa a premiar horários nobres após as 17h com bônus na contagem da cota, além de incentivar permanência de títulos premiados e manter contagem caso o filme saia de cartaz e volte.
- Dados da Ancine indicam que, em 2024 e 2025, o cinema brasileiro ficou com quinze vírgula sete por cento das sessões, mas com apenas cerca de dez por cento do público; o filme nacional de maior bilheteria recente foi O Agente Secreto, com 2,4 milhões de espectadores e 51,1 milhões de reais arrecadados.
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) publicou nesta quarta-feira uma instrução normativa para fechar brechas na Cota de Tela, mecanismo criado para reservar parte da programação a filmes brasileiros. A medida busca tornar a obrigação mais efetiva frente ao público. A norma entra em vigor em 2026.
A Cota de Tela, restabelecida em 2024 pela Lei 14.814, exige que exibidores incluam obras nacionais com número mínimo de sessões e diversidade de títulos, regulamentados pela Ancine. A aferição é anual, e não diária, o que permite variação de horários ao longo do período de apuração.
A Ancine aponta que, mesmo com a obrigatoriedade, a participação do público em filmes nacionais ficou abaixo da participação de sessões. A autarquia sustenta que parte significativa das exibições ocorre em faixas de menor demanda, reduzindo o impacto na audiência.
Nova regra da Cota de Tela
A Instrução Normativa nº 175 altera a contabilização para 2026. Sessões de longas nacionais após as 17h passam a ter acréscimo de 0,10 na contagem da cota, incentivando horários de maior procura. O objetivo é valorizar sessões em horário nobre.
Outra mudança prevê permanência maior de filmes nacionais. Em semanas cinematográficas sucessivas em um mesmo complexo, há acréscimo de 0,025, desde que a sessão continue após as 17h. A contagem recomeça caso o título saia de cartaz.
A norma também amplia o bônus para obras premiadas. Além do melhor filme, passam a contar prêmios de melhor ator, atriz, diretor e roteiro em festivais reconhecidos pela Ancine. Nessas condições, há acréscimo de 0,15 para sessões após as 17h.
Dados da própria agência destacam o desafio de ampliar o público para o cinema brasileiro. Entre 2024 e 2025, o setor representou 15,7% das sessões, mas apenas 10,1% e 9,9% do público. Em 2026, a participação de público caiu para 6,5%.
O filme brasileiro com maior bilheteria no último ano foi O Agente Secreto (2025), de Kléber Mendonça, com cerca de 2,4 milhões de espectadores e R$ 51,1 milhões arrecadados. O longa permanece atrás de lançamentos estrangeiros mais recentes.
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