- A mostra John Graz: Intérprete do Moderno fica em cartaz no Instituto de Estudos Brasileiros da USP, destacando o trabalho de Graz como designer de interiores e pioneiro da ideia de arte total no Brasil.
- As peças exibidas são reproduções fac-símiles — originais não estão em exibição por questões de iluminação e reformas no espaço expositivo.
- Em dezembro de 2024, o IEB recebeu, em doação, cerca de 1.650 peças do acervo de John Graz, coletadas pela instituição homônima de São Paulo.
- A exposição divide o acervo em duas categorias: moderno, com foco em arquitetura e mobiliário geometricamente estruturados, e estilo, com referências a períodos como barroco, rococó e neoclássico.
- Regina Graz, primeira esposa de John Graz, é citada como artista têxtil vanguardista, mas não está creditada nos projetos apresentados; a curadoria planeja futuras mostra dedicadas à sua obra.
A mostra John Graz: Intérprete do Moderno está em cartaz no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. A exposição apresenta o pioneiro do design de interiores suíço, que atuou no Brasil entre as décadas de 1920 e 1960, destacando a ideia de arte integrada ao cotidiano. As peças são reproduções fac-símiles, em razão de a sala ser provisória e receber luz solar forte.
O foco da curadoria, conduzida por Ana Paula Simioni e Vanessa Costa Ribeiro, é enfatizar Graz como designer. O conjunto inclui projetos de interiores, móveis e elementos gráficos, organizados em duas categorias: moderno e estilo. A curadora ressalta que Graz dialoga com a modernidade brasileira, ao lado de nomes como Gregori Warchavchik.
A mostra revela que Graz não se limitou à pintura, embora tenha participado da Semana de Arte Moderna de 1922 como pintor. Inicialmente, ele se formou como decorador e, a partir dos anos 1960, a pintura ganhou expressão dentro de sua trajetória brasileira. As peças apresentadas são cópias de guaches, fotografias e adesivos para evidenciar o universo do designer.
Entre os apontamentos, destacam-se cadeiras desenhadas por Graz em papel craft, com medidas reais para orientar artesãos na execução. A prática enfatiza o caráter artesanal, contrastando com a produção seriada, que ainda era incipiente no Brasil naquele período.
O acervo, legado da família Graz, inclui itens adquiridos pela USP em 2024. O Instituto John Graz, de São Paulo, doou cerca de 1.650 peças, conforme divulgado pelo Jornal da USP. Na mostra, as peças originais não estão expostas; as reproduções garantem a compreensão do conjunto de projetos.
O design e o contraste entre estilos
No grupo “estilo”, Graz incorpora referências de barroco, rococó e neoclássico, com mobiliário de estética pastel. O projeto para quarto, na década de 1940, exibe pés de cama arqueados, remanescentes do Louis XV. Esses elementos indicam uma tradição conservadora aliada a uma visão de conforto doméstico.
No grupo “moderno”, a linha é mais contida e geométrica, com traços de art déco. A partir dos anos 1950, Graz dialoga com artistas contemporâneos de São Paulo, trazendo cores vibrantes e formas mais diretas, sem perder a elegância do conjunto.
As peças para famílias influentes, como Matarazzo, Lunardelli e Jafet, aparecem como evidência da demanda estética de cada época. O mobiliário desenhado pelo artista é destacado na mostra, especialmente as cadeiras, que, segundo a curadora, eram criadas em tamanho natural para orientar a fabricação artesanal.
Regina Graz, primeira esposa de John Graz, foi reconhecida pela contribuição em têxteis e tapeçaria, ainda que não esteja creditada de forma extensa nos projetos expostos. A curadoria aponta a divisão histórica do trabalho no Modernismo, com destaque para a atuação masculina na parte de design e a feminina nas áreas têxtil e têxil, menos valorizadas na época.
A pesquisa sobre Regina Graz ganhou maior atenção ao longo do tempo, com a descoberta de desenhos e tapeçarias em acervo da família. A curadora Ana Paula Simioni observa que a participação da artista ocorre, embora não esteja plenamente creditada, e que uma exposição dedicada a Regina é viável para o futuro.
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