- A Bienal de Veneza de 2026 traz o Brasil com Adriana Varejão e Rosana Paulino, sob curadoria de Diane Lima, em uma formação feminina inédita na história do pavilhão brasileiro.
- O evento marca a presença de três mulheres representando o Brasil pela primeira vez, incluindo a segunda mulher negra curadora e a primeira artista negra a atuar na correalização.
- O tema curatorial é Comigo Ninguém Pode, desenvolvido em cinco a seis meses pelas três, buscando expressar energia e resistência frente a feridas históricas.
- A arquitetura do pavilhão foi aproveitada como parte da exposição: Adriana criou uma metamorfose de ruínas em pintura, enquanto Rosana resgata o projeto site-specific Arácnis para integrar as obras.
- Rosana apresentou obras inéditas, como Calunga Grande e Atlântico Vermelho 2 / Veneza, além do primeiro bronze, Crisálida; Adriana expõe quase cem metros de pintura inspirada na transição de concreto para forma contemporânea.
Rosana Paulino, Adriana Varejão e Diane Lima formam a primeira tríade feminina a representar o Brasil na Bienal de Veneza 2026. A edição inaugura um protagonismo negro feminino no pavilhão brasileiro, sob curadoria de Diane Lima.
As artistas Adriana Varejão e Rosana Paulino trabalham juntas pela primeira vez, com a curadoria de Diane Lima. A dupla é TV de uma prática curatorial que privilegia perspectivas negras e femininas, conforme entrevista publicada pela Vogue.
A curadora Camaronesa-Suíça Koyo Kouoh assina o texto curatorial da edição, com Diane Lima destacando a criação de um trio inédito. O objetivo é ampliar a visibilidade feminina negra na história da mostra.
A ideia curatorial nasceu de um encontro entre Diane e o texto de Kouoh. A líder brasileira buscou alinhar o talento de Rosana e Adriana a uma perspectiva de resistência às violências coloniais.
O projeto, intitulado Comigo Ninguém Pode, recebeu entre cinco e seis meses para partir para a produção de obras que dialogam entre si. A expressão busca uma energia comum entre as artistas.
O resultado mistura pinturas, instalações e esculturas, explorando temas de identidade, violência racial e colonialismo. A peça central é a ligação entre as obras, não um único estilo.
A parede dividida do pavilhão brasileiro foi aproveitada como espaço criativo. Varejão compõe 12 pinturas dentro da viga, enquanto Paulino resgata a instalação Arácnis com tecidos que formam rostos de pessoas escravizadas.
Rosana revela novas peças: Calunga Grande, Atlântico Vermelho 2 / Veneza e o bronze Crisálida, a partir de um desenho de há 20 anos. Adriana amplia o uso da pintura em grande escala com ruínas metamorfoseadas em poesia matérica.
A série Azulejões de Adriana apóia-se numa iconografia barroca, com figuras angelicais em tonalidades que ganham intensidade ao longo da linha. A produção de Rosana reforça a leitura de teias e rostos históricos.
A presença do trio tem implicações narrativas para além da geografia. Diane Lima aponta que a composição expressa posições de gênero, raça e classe, em um Brasil historicamente ausente no espaço.
Rosana destaca a relevância do momento para o país, marcando a primeira curadoria negra e as primeiras artistas negras no pavilhão. A artista comenta avanços e desafios da representação artística brasileira.
Adriana explica a transformação da prática de Arácnis em uma instalação de grande escala. A artista descreve a aplicação de processos que unem pintura, escultura e imagem de memória histórica.
A previsão é de que Veneza receba público a partir do dia 9 deste mês. A mostra brasileiro promete diálogo entre linguagens, com presença de duas artistas de longa atuação no cenário internacional.
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