- O Conpresp pode revogar o tombamento da vila João Migliari, no Tatuapé, em São Paulo, avaliando um recurso aberto pelos herdeiros.
- A vila foi quase toda demolida em 2019, o que levou à mobilização de antigos inquilinos e apoiadores e ao reconhecimento como patrimônio cultural.
- O tombamento definitivo da vila foi aprovado em 2023, apesar de contestações dos herdeiros, representados pela empresa Voga Empreendimentos.
- O recurso visa descaracterizar a área envoltória e manter apenas as sobradas, com a justificativa de descaracterização do conjunto após as demolições.
- O autor do pedido de tombamento defende manter o tombamento, mas propõe liberar prédios próximos à vila para ampliar perspectivas de preservação, mantendo as casas em evidência na esquina.
O Conpresp discute nesta segunda-feira se vai revogar o tombamento da vila João Migliari, no Tatuapé, após décadas de controvérsia. O conjunto, que ganhou o título em 2023, fica na zona leste da cidade e envolve sobrados construídos na década de 1950 pelo empresário Bruno Lembi.
A derrubada de parte das casas em 2019 gerou mobilização de ex-inquilinos e apoiadores, levando ao reconhecimento cultural. Hoje, sobrados remanescentes seguem vazios, com impactos visíveis no entorno e no próprio patrimônio da região.
A família de Bruno Lembi, por meio da empresa Voga Empreendimentos, contesta o destombamento. A defesa sustenta que o conjunto foi descaracterizado pelas demolições e perdeu valor cultural.
O recurso chegou a entrar em pauta em 2025, mas foi retirado para nova análise. Em março de 2025, houve discussão sobre destombar a vila, com proposta de manter a área envoltória apenas com restrições de altura.
Ponto de vista técnico e propostas
Um parecer de novembro de 2024 recomenda manter o tombamento e flexibilizar a área envoltória, que hoje restringe construções no entorno a até oito metros de altura. A prefeitura aponta que o local abriga um estacionamento e houve construção de um supermercado na esquina oposta.
O arquiteto Lucas Chiconi defende manter o tombamento, mas sugere liberar parte do entorno para favorecer a revitalização. Ele aponta que a preservação pode conviver com novos empreendimentos.
O ex-inquilino Carlos Vaz propõe transformar parte dos sobrados em um observatório do patrimônio, o Centro Bruno Lembi, para abrir o espaço ao público e preservar memória local. Ele ressalta a necessidade de recuperação dos imóveis.
Contexto da votação
O resultado pode impactar não apenas a vila, mas outros casos de tombamento na cidade. A decisão envolve parecer técnico da prefeitura e a participação de representantes da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, entre outras instituições.
A administração municipal não comentou sobre o andamento do processo da Panamericana nem sobre críticas ao conselho de patrimônio. A votação sobre a vila João Migliari ocorre sem data marcada para o desfecho público.
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