- Na madrugada de 1º de maio, homens armados invadiram a Toca do Lobo, hospedaria na zona rural de Itaeté, rendendo o casal de ativistas Alcione Corrêa e Marcos Fantini.
- Os invasores destr fundamentalmente equipamentos e danificaram o sistema de energia solar, rádios, internet via satélite, celulares e câmeras de monitoramento, com prejuízo estimado em R$ 60 mil.
- A ação é vista como escalada de tensões na serra da Chapadinha, região da Chapada Diamantina, pressionada por mineração, exploração ilegal de madeira e grilagem.
- A Polícia Civil instaurou inquérito; o casal já foi ouvido, e as autoridades investigam o planejamento e a autoria do ataque.
- Ambientalistas defendem a criação de um Refúgio de Vida Silvestre na área; a consulta pública, prevista para junho de 2026, deve incluir audiências e diálogo com comunidades locais.
A madrugada do feriado de 1º de maio foi marcada por uma investida armada na Toca do Lobo, hospedaria localizada na zona rural de Itaeté, cidade de cerca de 13 mil habitantes, a 386 km de Salvador. Homens armados renderizaram o casal de proprietários, Alcione Corrêa e Marcos Fantini, que trabalha com conservação ambiental, e destruíram parte da estrutura e equipamentos.
Os invasores aterrissaram no local, conhecido como posto avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, após entrarem no espaço com pistolas apontadas. O casal foi obrigado a sair de casa durante a ação, que envolveu arrombamento do local e intimidação. A estimativa inicial de danos alcança R$ 60 mil, com prejuízos a câmeras de monitoramento e equipamentos de energia.
A serra da Chapadinha, na Chapada Diamantina, abriga áreas de relevância ambiental, mas fica fora de zonas protegidas por lei. A região é alvo de interesses ligados à mineração, exploração de madeira e expansão imobiliária, além de presença de comunidades tradicionais.
Contexto regional
Dados da Agência Nacional de Mineração indicam 65 processos no município de Itaeté, abrangendo 70,2 mil hectares. A maioria busca pesquisa de minério de ferro, com uma única autorização já na fase de lavra para a Mineração Novo Rumo. Ambientais defendem a criação de uma unidade de conservação na área.
Ambientalistas defendem a criação de um Refúgio de Vida Silvestre na região entre Itaeté, Ibicoara e Mucugê, em uma área de 18,3 mil hectares. A consulta pública para a medida está prevista para junho de 2026, com audiências e visitas técnicas.
A ação contra a Toca do Lobo elevou tensões locais. A serra abriga comunidades quilombolas, terreiros de Jarê e ribeirinhos, que possuem interesses diversos sobre o uso da terra. O episódio desencadeia novas denúncias de violência contra defensores ambientais.
A Polícia Civil instaurou inquérito de ofício após identificar postagens sobre o ataque. As vítimas já foram ouvidas pela delegada responsável. O Ministério Público Federal solicitou medidas urgentes para proteção e investigação rigorosa.
Autoridades, como o deputado Hilton Coelho (PSOL), reiteraram a necessidade de proteção e da criação imediata do Refúgio de Vida Silvestre. O Ministério do Meio Ambiente acompanha o caso e promete aguardar o desfecho das investigações.
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