- O turismo regenerativo ganha espaço no Brasil, com destinos como Fernando de Noronha e Jericoacoara recebendo fluxo maior de visitantes que participam de ações para restaurar comunidades e ecossistemas.
- O movimento é inspirado por exemplos globais, como Maya Bay, na Tailândia, que foi fechada por tempo para recuperação ambiental e voltou com restrições de visitação.
- Eventos do setor, como a WTM Latin America e a Abav Expo 2026, discutem turismo regenerativo e negócios ligados ao tema, que já envolve hotéis, operadoras, receptivos e governos.
- Projetos brasileiros oferecem roteiros regenerativos: Aliança Futuri, Biofábrica de Corais, Ibiti Projeto, Instituto Aupaba e Vivalá promovem experiências que unem turismo, educação ambiental e participação comunitária.
- Áreas públicas e privadas promovem capacitação e inovação com Sebrae e CNC, buscando qualificar microempreendedores e entregar vivências memoráveis aos visitantes.
O turismo regenerativo cresce no Brasil como forma de manter o fluxo de visitantes e, ao mesmo tempo, recuperar destinos afetados pelo turismo de massa. O conceito envolve atividades que ajudam a restauração ambiental e o fortalecimento de comunidades locais, indo além da simples preservação.
O modelo ganhou evidência com exemplos internacionais, como Maya Bay, na Tailândia, que fechou em 2018 para recuperação ambiental e reabriu em 2022 com restrições. No Brasil, cidades como Fernando de Noronha, em Pernambuco, e Jericoacoara, no Ceará passam a receber maior volume de turistas dentro de práticas regenerativas.
O que está em jogo
A ideia é evitar impactos negativos ao ecossistema e, ao mesmo tempo, permitir que viajantes contribuam de forma prática para a melhoria dos destinos. Em comunidades que começam a explorar o turismo, a meta é crescer de maneira responsável, sem frear o interesse dos visitantes.
Heloísa Schurmann, reconhecida pelos trabalhos no mar, participa de projetos ligados ao turismo regenerativo. Em sua fala, reforça a mudança de postura: o viajante participa de atividades que ajudam a comunidade e a natureza, não apenas observa.
A atuação de Schurmann integra a participação em eventos como a WTM Latin America, que neste ano teve o turismo regenerativo como tema, e sinaliza a conexão entre feiras, mercados e práticas regenerativas no setor. A Abav Expo 2026 também tratará do tema na programação de negócios.
Mercados e atores do setor
O turismo regenerativo ganha espaço entre hotéis, resorts, operadoras e governos, que integram 8% do PIB brasileiro segundo dados setoriais. O setor de luxo, em especial, aposta no crescimento de experiências que conectam turismo, comunidade e sustentabilidade.
O CNC aponta que novas pousadas de luxo no Nordeste refletem a demanda por turismo de experiência aliado à sustentabilidade, abrindo portas para parcerias entre proprietários, investidores e comunidades.
Sebrae atua capacitando microempreendedores de comunidades que atraem visitantes e investindo em inovação. A coordenadora Ana Clévia Guerrero ressalta que o desafio está na qualidade do produto e na entrega de vivências memoráveis, além de tecnologia e comunicação eficaz.
Onde o regenerativo já acontece no Brasil
Especialistas destacam a importância do Turismo de Base Comunitária, que envolve diretamente moradores e visitantes em atividades culturais e de apoio a pequenos negócios. Braztoa defende que cada comunidade preserve identidade, segurança e padrões de serviço para o viajante.
Projetos em execução ajudam viajantes a vivenciar experiências reais: deslocam-se por roteiros que integram cultura, meio ambiente e economia local. A seguir, alguns exemplos de iniciativas voltadas ao turismo regenerativo no país:
- Aliança Futuri: mapeia roteiros regenerativos no Sul da Bahia, entre cidades como Caravelas, Prado, Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália, Belmonte e Canavieiras.
- Biofábrica de Corais: atua em Porto de Galinhas (PE) com restauração de corais e educação ambiental; turistas podem participar do cultivo.
- Ibiti Projeto: em Conceição de Ibitipoca (MG), une turismo de luxo e ações de regeneração no Parque Estadual do Ibitipipoca, incluindo soltura de animais e reintrodução de espécies nativas.
- Instituto Aupaba: ONG com ações no Rio de Janeiro, favelas e cidades vizinhas, conectando voluntariado a causas ambientais.
- Vivalá: agência de São Paulo que organiza expedições em territórios de base comunitária, com programas de saúde, educação e economia em destinos como Ilha de Marajó, Chapada dos Veadeiros e Rio Negro.
Entre na conversa da comunidade