- Moisés Martínez, de 28 anos, assassinou o pai abusivo com dezoito pancadas de tiros e se entregou após ficar dois dias ao lado do corpo; cumpre pena de doze anos de prisão.
- A família defende a libertação de Moisés, afirmando que ele atuou em resposta a anos de abusos físicos e sexuais praticados pelo pai.
- Sara Martínez, irmã de Moisés, relata abusos contra ela, a irmã Ana e a mãe, incluindo episódios noturnos repetidos; ela disse ter contado cerca de sessenta casos.
- O caso ganhou repercussão no Uruguai, com o julgamento transmitido ao vivo pelo YouTube e gerando debate público sobre violência doméstica e proteção a vítimas.
- A juíza María Noel Odriozola negou o perdão judicial previsto no Código Penal para homicídio em contexto de violência doméstica; o tema elevou a discussão sobre o papel do Estado.
Um jovem uruguaio foi condenado a 12 anos de prisão por homicídio contra o pai, enquanto a família defende a libertação dele. O crime ocorreu em maio de 2025, nos arredores de Montevidéu, após Moisés Martínez, então com 28 anos, ter ficado sabendo de abusos praticados pelo pai contra a mãe e as irmãs durante a infância.
Segundo relatos familiares, o pai, Carlos Martínez, era considerado uma figura de controle na casa e teria abusado das mulheres por anos, poupando poucos detalhes de sua vida para os seus familiares. A revelação dos abusos ocorreu no decorrer de uma investigação que levou Moisés a agir de maneira extrema.
Moisés se entregou após ter atirado contra o pai e permanecer ao lado do corpo por dois dias. O julgamento, transmitido ao vivo pelo YouTube, provocou mobilização e indignação entre setores da população uruguaia, com apelos para uma punição mais branda ou, ao contrário, maior rigor.
As irmãs e a mãe defendem a libertação de Moisés, argumentando que ele agiu diante de uma violência constante. Elas afirmam que o sistema de proteção falhou ao não impedir a continuidade dos abusos ao longo de anos.
Sara Martínez, hoje com 27 anos, contou à BBC detalhes sobre o que ocorreu na família e como a ausência de denúncias anteriores contribuiu para a situação. Ela descreve um ambiente de medo permanente, com o pai exercendo controle e intimidando os demais membros.
Conforme o relato, o pai também abusava sexualmente de Sara e de outra irmã,Ana. Sara mencionou que, após cada episódio, Carlos teria pedidos de perdão e oferecido o alimento favorito de Sara, o que ajudava a manipular a percepção da filha.
Relatos indicam que a denúncia de abusos começou aos 12 anos, quando Sara viu violência entre o pai e a irmã Ana e informou a escola. Na sequência, houve uma investigação que resultou em uma sentença de três anos para Carlos, cumprida em parte, segundo a família.
A juíza responsável pelo caso afastou a possibilidade de perdão judicial previsto em lei, citando intensa comoção provocada pela violência doméstica. O julgamento provocou debate público sobre o papel do Estado na proteção de vítimas e denunciantes.
O presidente do Uruguai e envolvidos públicos receberam a família em audiência para tratar do tema. A defesa de Moisés destaca falhas institucionais que permitiram que o abuso se estendesse por anos sem contato efetivo com serviços de proteção.
Sara contou que, no dia da prisão do irmão, não viu o pai nem o corpo, pois estava em delegacia. Em depoimento, Moisés mandou uma mensagem ao final do processo, mencionando que ainda poderia comer o alfajor que associava ao pai.
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