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Influenciadora não consegue fazer ressonância por não caber na máquina

Paciente de 140 kg enfrenta barreiras do sistema de saúde para ressonância, expondo a gordofobia estrutural que dificulta acesso a exames básicos

Tamyres terá de viajar 122 quilômetros para fazer o exame — Foto: Arquivo pessoal
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  • Tamyres Sbrile, 28 anos, com 140 quilos, precisava de ressonância magnética do crânio para investigar dores de cabeça e inflamação nos nervos dos olhos; o laboratório informou que o equipamento aguentava até 160, mas não consideraram o diâmetro do túnel.
  • Durante a triagem, houve tentativa de entrar na máquina após resolver o capacete, mas conforme o avanço dentro do túnel a sensação de aperto aumentou e o exame não chegou a começar, com a paciente pedindo para sair.
  • A ressonância havia sido marcada com urgência, sem sedação por causa da claustrofobia, já que o neurologista solicitou o exame; a paciente foi encaminhada para outra profissional e a demanda de cinco ressonâncias com contraste foi indicada.
  • O plano de saúde pediu o peso e a medida da cintura, localizando, dias depois, uma máquina com diâmetro maior em Campinas, a cerca de 122 quilômetros de onde ela vive.
  • A reportagem destaca barreiras de acesso à saúde para pessoas com obesidade no Brasil, citando falta de equipamentos adequados e a percepção de gordofobia no sistema, além de orientar buscar suporte jurídico especializado quando necessário.

A influencer Tamyres Sbrile, de São João da Boa Vista (SP), não conseguiu realizar uma ressonância magnética do crânio devido ao diâmetro do túnel da máquina. O exame era necessário para investigar dores de cabeça e inflamação nos nervos dos olhos. O neurologista havia pedido o procedimento com urgência, sem sedação.

Com 28 anos e 140 quilos, Sbrile ligou antes ao laboratório que informou suportar até 160 quilos, mas não avaliou o espaço do túnel. No dia 28 de abril, ela passou pela triagem, foi recebida com um avental do tamanho adequado e teve a veia puncionada para o contraste. O obstáculo foi o capacete que não fechava no caso do seio.

Ao tentar avançar para dentro do equipamento, o aperto aumentou conforme o corpo avançava. Ainda sem iniciar o exame, Sbrile pediu para sair quando apenas os pés ficaram fora. A ressonância foi marcada às pressas, sem sedação, por request do médico, e a paciente já apresentava claustrofobia.

Barreiras no sistema de saúde

A paciente recebeu orientação para buscar uma máquina com diâmetro maior. O plano de saúde solicitou peso e medida da cintura, localizando posteriormente um equipamento em Campinas, a 122 quilômetros da residência. A dificuldade de acesso às máquinas adequadas não é isolada, segundo ativistas e especialistas.

Dados do Vigitel 2024 indicam que 25,7% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, e 62,6% apresentam sobrepeso quando combinados. Segundo ativista Rayane Souza, fundadora do projeto Gorda na Lei, a infraestrutura de saúde não atende adequadamente pessoas com obesidade, incluindo macas, aparelhos de pressão e aventais compatíveis.

Para quem enfrenta negativas, Souza recomenda buscar orientação jurídica com foco em planos de saúde, destacando que dificuldades costumam ser creditadas ao paciente. Sbrile ressalta a necessidade de acessibilidade, lembrando a sociedade demanda mudanças básicas para corpos gordos, como cadeiras de espera e macas de maior porte.

Enquanto aguarda novos exames agendados para o fim do mês, Sbrile continua com dor de cabeça e sem diagnóstico definitivo. Ela afirma que a situação expõe lacunas na inclusão de pessoas com obesidade no sistema de saúde.

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